Não há evidência de que nenhuma área do Brasil tenha atingido ‘imunidade de rebanho’, alerta braço da OMS nas Américas

A Organização Pan-americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde nas Américas, informou que o continente americano foi o responsável por 64% das novas mortes pelo novo coronavírus registradas na última semana e 60% de todos novos casos. A mortalidade na região preocupa a organização, que também fez um alerta ao Brasil: não há evidência de que nenhuma área do país tenha atingido a chamada “imunidade de rebanho”.

A man walks next to a graffiti depciting a cleaner wearing protective gear spraying viruses with the face of Brazil's President Jair Bolsonaro amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak, in Rio de Janeiro, Brazil, June 12, 2020. REUTERS/Sergio Moraes TPX IMAGES OF THE DAY

Nesta semana, as Américas atingiram 6,8 milhões de casos da doença e total de 288 mil mortes. Os números correspondem a aproximadamente metade de todos os casos registrados no mundo inteiro.

A OPAS alertou que não há evidência que nenhuma área brasileira tenha atingido “imunidade de rebanho”, que consiste em 50% a 80% da população já ter sido exposta ao vírus.

— A pesquisa feita em Manaus encontrou prevalência de anticorpos na população bem menor do que o suficiente para caracterizar ‘a imunidade de rebanho’. E estamos aprendendo a cada dia com a doença. É importante testar a população, mas não se pode dizer que imunidade foi atingida em Manaus e ainda há sobrecarga de leitos — disse Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da OPAS.

O médico ressaltou ainda que pesquisas britânicas recentes mostram que os anticorpos que podem destruir o vírus podem enfraquecer em cerca de 3 meses, o que indicaria que a imunidade à doença é de curto prazo, como na gripe comum.

— Não recomendamos a estratégia de tentar se buscar a imunidade de rebanho, porque os custos em número de vidas, na saúde pública e econômicos seriam massivos — alerta o especialista.

América Latina é segunda em mortes

Os casos diários e mortes também estão em crescimento na região, alerta a OPAS, particularmente no Brasil, México e EUA, responsáveis por 77% das mortes na última semana e que “vivenciam alguns dos surtos mais letais da doença no mundo”, alertou a organização.

— A população mais vulnerável tem sido mais atingida. No Brasil, por exemplo, comunidades indígenas ao longo da Amazônia têm visto taxa de incidência até cinco vezes maiores do que o resto do país — afirmou a diretora da OPA, a médica Carissa Etienne.

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A América Latina tornou-se a segunda região do mundo em número total de mortes pela pandemia na última segunda-feira, 13, totalizando 144 mil mortes. Ultrapassou a América do Norte e está apenas atrás da Europa, que registra até o momento cerca de 202 mil mortes. A organização atribui os números às dificuldades impostas pelas dificuldades sociais e econômicas na região latina:

— Nestes países, os números se devem à alta desigualdade e a prevalência de trabalhos informais, que influenciou a reabertura temporária das economias, com novos picos da doença afetando a população. Por isso temos que continuar com medidas cuidadosas como distanciamento social e monitoramento de leitos — defendeu Marcos Espinal.

Vacina a “meses de distância”

A direção da organização afirmou que uma vacina está “provavelmente a meses de distância” e é importante que os países se preparem para assegurar medidas de distribuição rápida e acesso igualitário à imunização.

— Hoje há mais de 150 vacinas em estudo e mais de 20 já sendo testadas em voluntários, com participação de países da região americana como o Brasil, Argentina, EUA e Canadá. Mas desenvolver a vacina é só metade do problema. Afinal, qual o valor de uma vacina se as pessoas não puderem acessá-la? Não podemos nos dar ao luxo de esperar anos para que as pessoas sejam vacinadas — disse Etienne.

Os programas de imunização na região foram afetados pela pandemia, com impactos nas rotas de insumos, oferta de profissionais de saúde e dificuldade no acesso a serviços de saúde primários. Mas a expectativa para a imunização da população é positiva:

— Vacinamos gerações de crianças e fomos a primeira região global a eliminar a poliomielite e a única a eliminar doenças como a rubéola. Temos algumas das maiores taxas de imunização do mundo, com adesão facilitada e rápida a novas vacinas, a despeito das desigualdades e diversidade da região — afirmou a diretora.

Com Agências

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