Músicos da favela da Maré, no Rio, homenageiam profissionais da saúde

A orquestra Maré do Amanhã, acostumada a aplausos, trocou os papéis e agradeceu a dedicação e o sacrifício dos profissionais da saúde da UPA da Maré. Músicos da favela da Maré, no Rio, homenageiam profissionais de saúde
Enquanto eles afinam os instrumentos, a gente fala da favela da Maré, mais precisamente da UPA da Maré: 140 mil vidas dependem desse lugar.
“A gente não tem para onde correr. Acontece alguma coisa, é o único lugar que a gente tem para resguardar a gente. Não tem jeito”, diz Marcos Vinícios Teixeira da Silva, produtor.
Profissionais de saúde de mãos dadas com os moradores nas pequenas ou grandes emergências. Portas abertas 24 horas. Mas veio a Covid, um tempo em que o dia ficou pequeno para atender a tantos pacientes.
“Um dia de cada vez, um apoiando o outro sempre, tentando passar força através de gesto, de carinho”, conta Bruna Conceição dos Santos, técnica de enfermagem.
Todos sofreram, mas Cátia sofreu mais. Pegou Covid junto com a filha, Ágatha, que também era funcionária da UPA. A mãe se curou, mas a filha, de 25 anos, não resistiu.
“A gente dividia a vida, a casa, o trabalho. Não éramos não só mãe e filha, mas amigas companheiras, parceiras. Está sendo muito difícil, mas a gente tem que ficar de pé e lutar, porque tem muita gente precisando. Na guerra, soldados morrem cumprindo seu dever, e a minha filha foi embora cumprindo o dever dela e quis Deus que eu ficasse para continuar cumprindo o meu”, diz Cátia Simone de Lima Passos, técnica de laboratório.
Além de Ágatha, mais dois integrantes da equipe morreram durante a pandemia. Estão todos precisando de um abraço.
Depois de tantos meses de dedicação e sacrifício dos profissionais de saúde sempre em condições difíceis, na Maré é hora de retribuir. Chegou o momento em que os pacientes vieram cuidar dos médicos. E para isso levaram a receita e o remédio.
No começo, ficam todos ficam paradinhos, olhando de longe. Aos poucos, um gesto ali, as mãos, os ombros, os braços, o corpo inteiro balança, e mais ainda ao som da música que fala dos problemas e esperanças no lugar onde elas moram.
E assim a orquestra Maré do Amanhã, acostumada a tantos aplausos, troca os papéis e agradece aos heróis da Maré.
E a Cátia curte a música, esse remédio poderoso que até dos corações mais sofridos arranca pelo menos um sorriso com os olhos.
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