MP pede que Secretaria da Saúde do Ceará esclareça alta da média móvel de óbitos por Covid apontada por consórcio


Consórcio de veículos de imprensa, que usa dados oficiais da Secretaria da Saúde, aponta aumento da média móvel de óbitos no estado. Secretaria diz que dados se referem a semanas anteriores. Consórcio de veículos de imprensa aponta alta na média móvel de óbitos por Covid; secretaria afirma que dados são referentes a semanas anteriores
André Santos/Prefeitura de Uberaba
O Ministério Público do Estado do Ceará pediu que a Secretaria da Saúde do Ceará explique a divergência de números de óbitos pela Covid-19 apresentados pela pasta se comparado com dados do consórcio de veículos de imprensa.
O consórcio formado pelos veículos de imprensa G1, O Globo, Extra, O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, com base em dados da secretarias estaduais, aponta que o Ceará tem um aumento na média móvel de óbitos pela doença. A Secretaria da Saúde, no entanto, diz que há uma redução de casos e mortes pela doença nas últimas semanas.
O Ministério Público cobra esclarecimento sobre a divergência de dados até 21 de setembro. A recomendação do MPCE é que o secretário da pasta, o médico Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, comprove a legitimidade dos dados da Secretaria. Em nota enviada ao G1, a Secretaria da Saúde confirmou o recebimento do documento e informa que deverá responder ao órgão dentro do prazo estipulado.
Estados com a média de mortes em alta nesta terça-feira (15 de setembro), conforme dados do consórcio de veículos de imprensa
Arte G1
A ação do MPCE foi protocolada pela promotora de justiça Ana Cláudia Uchoa de Albuquerque Carneiro na tarde de segunda-feira (14), por meio da 137ª Promotoria de Justiça de Fortaleza. Entre os motivos apresentados pelo MPCE estaria uma continuidade nas divergências.
O Ministério Pública citou que em 9 de setembro o consórcio apontou o Ceará como o único estado onde a média móvel de mortes crescia. Reportagens dos dias seguintes também citam aumento dessa média no estado.
Dados ‘retrospectivos’
Em coletiva realizada na última quinta-feira (10), o secretário da Saúde negou o aumento nas fatalidades cearenses. Segundo Carlos Roberto, a alta mostrada pelo consórcio é decorrente do uso de dados de semanas anteriores.
Registro de primeiro caso de coronavírus no CE completa seis meses nesta terça-feira (15)
“O problema é que quando, no numerador do cálculo, ele coloca os casos documentados e não os casos do dia, ele pode ter uma ideia errada. Naquele dia, foram realizados x exames com x positivos, isso faz parecer que os números analisados são mais altos do que o número real, já que algumas documentações são retrospectivas. A confirmação do óbito pode vir um, dois ou até três dias depois”, aponta.
O governador do Ceará, Camilo Santana, também se pronunciou sobre a divergência. Segundo Camilo, os dados são de óbitos de semanas anteriores e que acabam sendo confirmados apenas mais recentemente.
“Quando acontecem os óbitos, vários deles ficam em investigação para saber se realmente foram por Covid ou não. Então os dados apresentados pela imprensa nacional são de quando as mortes se confirmam e não retratam a realidade do momento. Se aumentarem, nós iremos dizer claramente”, afirmou.
Casos da doença no estado
O Ceará registra, até a manhã desta terça-feira (15), 229.072 casos de Covid-19 e 8.739 mortes pela doença. O número de pessoas recuperadas chegou a 203.561. Os dados são da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), atualizada às 9h18.
O estado tem ainda 87.745 casos suspeitos e outras 699.432 ocorrências da doença foram notificados. O número de exames utilizados para identificar o novo coronavírus é de 694.970.
As maiores incidências de casos confirmados por 100 mil habitantes são: Acarape, (10.985,3), Frecheirinha (10.531,6), Groaíras (6.487,2), Chaval (6.090,7) e Moraújo (5.628,2).
Fortaleza acumula 47.986 casos de Covid-19 e 3.826 óbitos pela doença. A capital tem uma incidência de 1.797,7 casos a cada 100 mil habitantes.
Veja outras informações da plataforma:
A taxa de ocupação das UTIs cearenses é de 64,99%;
A taxa de ocupação das enfermarias cearenses é de 30,81%;
A letalidade da doença no Estado é de 3,8%;
Houve uma morte pela doença nas últimas 24 horas.
Os números apresentados pela Secretaria da Saúde são atualizados permanentemente e fazem referência à disponibilidade dos resultados dos testes para detectar a presença dos vírus, ou seja, não necessariamente correspondem à data da morte ou do início da apresentação dos sintomas pelo paciente.
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