Mourão sobe o tom contra Gilmar Mendes: “Cruzou a linha da bola”

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. Foto: Romério Cunha/VPR

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. Foto: Romério Cunha/VPR

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, criticou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter afirmado que “o Exército está se associando a esse genocídio”, ao se referir à gestão interina do Ministério da Saúde pelo general Eduardo Pazuello durante a pandemia do novo coronavírus.

Em transmissão ao vivo realizada pelo banco Genial Investimentos, nesta segunda-feira 13, Mourão disse que Gilmar Mendes passou dos limites.

“O ministro Gilmar Mendes não foi feliz, né? Vou usar uma linguagem do jogo de bola. Cruzou a linha da bola. Querer comparar a genocídio o fato das mortes ocorridas aqui no Brasil na pandemia, atribuir essa culpa ao Exército porque tem um general do exército como ministro interino da Saúde… Ele forçou uma barra aí, e agora ele está criando um incidente com o Ministério da Defesa”, afirmou militar.

O comentário de Mourão ocorre após o Ministério da Defesa anunciar que vai acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Gilmar Mendes. Em nota assinada pelo ministro Fernando Azevedo e comandantes das Forças Armadas, a pasta repudiou veementemente a declaração do magistrado e afirmou que tem compromisso com a preservação de vidas.

“A crítica vai ocorrer, tem que ocorrer, ela é válida. Mas o ministro ultrapassou o limite da crítica nisso aí”, avaliou Mourão.

Na ocasião em que criticou o Exército, o ministro do STF se queixava da decisão do governo do presidente Jair Bolsonaro em manter Pazuello como ministro da Saúde interino, em vez de nomear um chefe definitivo para a pasta. Desde que Nelson Teich se demitiu em 15 de maio, o Ministério da Saúde é comandado por um militar de forma provisória.

A declaração ocorreu durante transmissão ao vivo realizada pela revista IstoÉ, no sábado 11. A frase de Gilmar Mendes foi reforçada pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que acusou o governo de promover “desmanche do Ministério da Saúde” e disse haver “aniquilação” e “ocupação militar” do órgão. Na sequência, o médico Drauzio Varella afirmou que “a entrada dos militares não honra a imagem do Exército”.

O Brasil ultrapassou 70 mil óbitos e 1,8 milhão de contaminações por coronavírus na última semana. O país ocupa a vice-liderança dos rankings mundiais de mortes e de casos confirmados, segundo contagem da Universidade Johns Hopkins. Em 1º lugar, os Estados Unidos acumulam mais de 135 mil vítimas fatais e 3,3 milhões de infectados.

Com Agências

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