Morte de jovem espancado por pescadores em SP não teve relação com agressão, diz laudo


Documento aponta que morte pode ter sido causada por uma patologia cardíaca, agravada pelo uso de drogas. Suspeita será confirmada com laudo toxicológico. Jovem foi encontrado caído na Prainha Branca, em Guarujá, SP
Reprodução/Redes Sociais
O laudo pericial sobre a causa da morte do estudante Kauan Silva, de 17 anos, apontou que ele não morreu devido às agressões que teria sofrido de pescadores em uma praia de Guarujá, no litoral de São Paulo. O G1 teve acesso ao documento nesta quarta-feira (16). A perícia esclarece que o adolescente teria morrido por conta de uma patologia cardíaca, possivelmente agravada pelo consumo de drogas. A polícia ainda aguarda o exame toxicológico.
O caso ocorreu no dia 15 de agosto. O rapaz deu entrada no Hospital de Bertioga, após passar mal. A namorada dele relatou à polícia que ele havia sido espancado, inicialmente por seis pescadores, durante uma discussão por causa de uma barraca, armada em um local proibido na Prainha Branca. Um dos investigados alegou que foi agredido primeiro por Kauan, e que os outros agiram em sua defesa.
Desde o ocorrido, a Polícia Civil levanta provas que possam levar à causa da morte do jovem. Na última sexta-feira (11), o laudo necroscópico ficou pronto e apontou que o rapaz morreu em decorrência de insuficiência respiratória aguda, devido a edema agudo no pulmão.
“Possivelmente causado por uma patologia cardíaca descompensada e agravada pelo uso de drogas [a se confirmar com o exame toxicológico]. Não tendo, portanto, relação com a agressão sofrida pela vítima na véspera do ocorrido [morte]”, diz o documento. A informação também foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).
A utilização de drogas foi confirmada pela namorada da vítima, que declarou à polícia que ele teria bebido whisky e usado um pouco de lança-perfume. Ao G1, o advogado de defesa dos investigados, Anderson Real, explica que moradores do local viram o rapaz colocando algo em uma lata de metal e ‘baforando’.
“Tudo isso potencializou, principalmente o lança-perfume, que é um vasodilatador e acaba acelerando as batidas do coração. Quando eu fiz a diligência no hospital, conversei com o médico, que me disse que ele estava com as pálpebras ressaltadas, e que isso dava indício de utilização de drogas. A perícia já aponta indícios de utilização de drogas, mas eles [investigação] estão aguardando o laudo toxicológico”, afirma.
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Arquivo Pessoal
Para o defensor, o resultado do laudo isenta os pescadores de qualquer culpa com relação à morte do rapaz. “Nós saímos a campo para colher filmagens, depoimentos, tudo para auxiliar a investigação. Nós tínhamos certeza que seria esclarecida a favor dos acusados, que não tiveram qualquer participação na morte”, declara.
O inquérito policial segue em aberto na Delegacia Sede de Guarujá, que aguarda o laudo toxicológico, que deverá comprovar se houve, de fato, o uso de entorpecentes, além apontar a quantidade ingerida. Com a conclusão das investigações, os pescadores podem não ser indiciados pela morte de Kauan.
Relembre o caso
Ao G1, a companheira de Kauan, que preferiu não se identificar, relatou que eles estavam na região a passeio e acamparam no Parque Prainha. Ela contou que eles estavam com uma amiga quando um pescador passou pedindo que eles desmontassem a barraca, porque a fiscalização iria passar. Segundo a jovem, eles disseram ao homem que iriam desmontar e, em seguida, foram até a beira da água para molhar os pés.
A jovem relata que o pescador voltou com outros cinco colegas e o marido xingou em voz baixa um deles. De acordo com a companheira, os seis começaram a bater no rapaz. Conforme o boletim de ocorrência, testemunhas relataram à Polícia Militar que o jovem havia discutido com seis pessoas anteriormente.
O grupo teria agredido o rapaz e fugido em seguida. Segundo os relatos, o estudante passou a reclamar de dor, cansaço e dificuldade para respirar, e posteriormente foi encontrado caído. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
Na época, o atestado de óbito apontou que o jovem morreu em decorrência de insuficiência respiratória e edema agudo de pulmão (excesso de líquido). A família pede por justiça.
Caso foi registrado na Delegacia Sede de Guarujá
G1 Santos
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