O escritor espanhol Juan Marsé, um dos grandes nomes da literatura espanhola das últimas décadas, morreu neste sábado, 18, em Barcelona, aos 87 anos, informou neste domingo no Twitter sua agência literária.

“Lamentamos profundamente a morte de Juan Marsé (Barcelona, 8 de janeiro de 1933 – 18 de julho de 2020). Descanse em paz, querido Juan”, disse a agência literária Balcells.

Marsé fazia parte da chamada ‘geração dos 50’ junto com seus amigos Jaime Gil de Biedma, Carlos Barral, Eduardo Mendoza, Manuel Vázquez Montalbán e Juan Goytisolo.

Seus livros narram uma Barcelona do pós-guerra, descrevem com cuidado, realismo e ironia esse período e as tensões sociais entre a burguesia tradicional, as novas elites e a classe trabalhadora.

“Recebo em Bruxelas a triste notícia de que Juan Marsé, uma figura-chave na literatura espanhola, nos deixou. Um homem de convicções firmes, que através de suas obras conseguiu nos transportar para a realidade social de Barcelona no período pós-guerra. Meu carinho por sua família e amigos”, declarou no Twitter o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez.

“Juan Marsé morreu, e em Barcelona sentimos como se um pedaço de nossa alma tivesse sido tirada de nós. Nosso compromisso é continuar lutando para que a Barcelona dos bairros que ele tão bem retratou e amou nunca morra”, escreveu na mesma rede social Ada Colau, prefeita de Barcelona.

Marsé foi aprendiz de joalheiro, trabalhou em publicidade e foi editor-chefe de uma revista.

Críticos literários e escritores o descrevem como o “último romancista clássico” da Espanha. Tímido, um tanto esquivo e modesto, Marsé nunca se descreveu como um intelectual, apenas como um “narrador”.

“Minha vida não interessa”, anunciou a Josep María Cuenca, autor de sua biografia “Mientras llega la felicidad”, quando começaram a se conhecer.

Em 2008, o escritor recebeu o Prêmio Cervantes, o Prêmio Nobel de Literatura Espanhola, que se somou a outros prêmios de prestígio como o Planeta, obtido em 1978 por La muchacha de las bragas de oro, a Biblioteca Breve (1966), por Últimas tardes com Teresa, o Prêmio de Crítica à Narrativa Castelhana (1993) por O feitiço de Xangai ou Juan Rulfo, em 1997, o mais prestigiado prêmio da América Latina.

“Juan Marsé realmente não sabe quanto talento ele tem, qual a importância do trabalho que ele fez ou o quanto seus leitores lhe devem”, disse o escritor e vencedor do Nobel Mario Vargas Llosa na época.

O autor nascido em Barcelona começou a escrever histórias nas revistas Ínsula e El ciervo, até que em 1960 publicou seu primeiro romance, Encerrados con un solo juguete.

Escritor catalão em língua castelhana, Marsé disse em várias entrevistas que a pátria do escritor “é a linguagem não a língua” e defendeu “a dualidade cultural e linguística da Catalunha”. Algo “que tanto preocupa e que enriquece a todos nós”, disse ele ao receber o prêmio Cervantes.