Moradores de Conceição de Ibitipoca relatam momentos de tensão com incêndio florestal


As chamas foram registrados na região entre quarta (16) e sexta-feira (18), ameaçando residências no local. O G1 conversou com alguns voluntários que atuaram no combate ao fogo. Moradores de Ibitipoca contam sobre combate ao fogo
Celine Billard/Arquivo pessoal
Moradores de Conceição de Ibitipoca relatam momentos de tensão e medo com incêndio florestal atingiu o distrito até esta sexta-feira (18). O G1 conversou com alguns dos voluntários sobre os momentos de união para controlar as chamas e a preocupação de que novos focos ocorram, até que as chuvas comecem.
“Se não fosse a iniciativa dos moradores, muito possivelmente o fogo teria chegado até a minha casa”, relembrou Leandro Simas, morador do loteamento Desbarrancado, atingido pelo fogo.
A casa de Leandro é a primeira do loteamento, e a que estava mais próxima das chamas. O morador se encontrava em Lima Duarte quando foi alertado do perigo, por meio de um telefonema de um vizinho.
“Saí correndo, peguei um taxi e subi para ajudar”, conta. Leandro chegou por volta das 22h30 de quarta-feira (16), cerca de cinco horas após o início do fogo.
“Muita gente de pijama, muita gente sem o equipamento adequado, foi para a frente combater as chamas”, ressaltou o morador.
Início do fogo
A primeira moradora a notar a presença do fogo foi a jornalista, Gíglia Ferrari, também moradora do Desbarrancado, que caminhava em direção à Santana do Garambéu, por volta das 18h de quarta-feira (16), quando notou o barulho das chamas vindo de uma propriedade.
“Eu estava sem celular na hora e, quando vi que realmente já estava pegando fogo na mata, voltei para casa e já avisei nos grupos de moradores de Ibitipoca”.
Os moradores suspeitam de incêndio criminoso
Teca Resende/Arquivo pessoal
De acordo com o secretário Associação dos Moradores e Amigos de Ibitipoca (AMAI), Ronaldo Moraes, testemunhas teriam visto uma pessoa ateando fogo na mata na quarta-feira (16). A moradora Danielle Arruda, que também conversou com o G1, afirmou que a denúncia de incêndio criminoso foi feita junto à Polícia Militar do Meio Ambiente (PMMA) na quinta-feira (17).
O G1 tentou contato com a autoridade policial para pedir um posicionamento da PMMA sobre a denúncia, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.
Trabalho de moradores
O fogo começou a se alastrar em direção ao Desbarrancado por volta das 21h40 de quarta-feira. Segundo Danielle Arruda, em menos de 20 minutos o fogo havia se espalhado e já trazia perigo as casas.
Os moradores entrevistados contam que as chamas atingiam aos cinco metros de altura chegaram à entre 10 a 5 metros de distância das residências.
Mata destruída pelas chamas
Celine Billard/Arquivo pessoal
Após pedidos de ajuda por grupos de WhatsApp, dezenas de moradores se mobilizaram no combate e monitoramento das chamas.
“Dois membros da equipe de brigadistas chegaram para ajudar e orientar o combate, mas a maioria absoluta de combatentes eram civis sem treinamento algum, sem equipamentos e sem vestimenta adequada”, conta Danielle. “Chegaram da forma como estavam, alguns de chinelo de dedo, pijama”.
A moradora conta que ligou para o Corpo de Bombeiros ainda na noite de quarta, mas que os militares alegaram “não haver carro disponível para a ocorrência, e que a única orientação era molhar em volta das casas”.
Os voluntários se dividiram em diversos métodos de combate às chamas, com a construção de aceiros em volta das casas, além da irrigação com bomba d’água. Alguns moradores chegaram a entrar na mata, na tentativa de abafar as chamas que desciam o morro.
Os bombeiros chegaram na vila por volta de 1h30, quando o fogo já havia sido controlado próximo às residências. “Eles subiram para a torre, combateram um pouco lá. Mas foram embora, e o fogo continuava”, relatou o morador Leandro Simas.
Os moradores conduziram os militares à um local em que estava em chamas. “Eles olharam e disseram que o local era de difícil acesso, mas não era”, afirmou o morador.
Segundo as informações passadas ao G1 pelo Corpo de Bombeiros, o foco era inacessível por conta de um paredão de pedras no local, que apresentava risco de queda.
Segundo Danielle, os bombeiros reforçaram que o fogo remanescente não apresentava perigo aos moradores, “mas, se caso isso ocorresse, era só ligar que outro destacamento viria pela manhã”.
Leandro contou que os moradores passaram toda a noite combatendo o fogo, mas que os focos voltavam por conta da vegetação seca no local. Ao fim da madrugada, as chamas pareciam ter cessado, mas retornaram por volta das 6h de quinta-feira (17).
Os voluntários voltaram ao trabalho de combate, com a ajuda de brigadistas vindos de Lima Duarte. “Novamente, a maioria absoluta de pessoas envolvidas eram os moradores do entorno, carregando baldes de água, enxadas, pás, machados e abafadores feitos de galhos de árvores”, contou Danielle.
Por volta das 9h, o fogo se acalmou nas redondezas das casas, mas seguiu para uma mata, na região do Alambique. Nesse momento, o combate foi assumido por brigadistas, com equipamentos adequados.
“Os moradores ficaram acompanhando e ajudando na logística. Enchendo as bombas d’água, jogando água em volta das casas e apagando resquícios de chamas perto das casas, preparando lanches e água potável para quem estava na linha de frente”, relembrou Daniele.
A espera da chuva
As chamas ainda retornaram à região durante a sexta-feira (18). Segundo Leandro, a brigada do Parque de Ibitipoca foi efetiva na data, finalizando os focos remanescentes até às 15h.
Até a última atualização desta reportagem, não foram registradas mais chamas na região.
“Está todo mundo na expectativa, porque a previsão do tempo diz que domingo (20) começa a chover”, alega Leandro. Segundo ele, a população espera que a chuva apague qualquer foco remanescente na área.
O G1 entrou em contato com o Instituto Estadual de Florestas (IEF) para informações sobre a área afetada.
O contato também foi feito com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), com pedido de posicionamento sobre o ocorrido. No entanto, até a última atualização dessa reportagem, não houve retorno.

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