Moradora de Florianópolis recebe sementes estranhas da China

Um pequeno pacote inesperado em uma compra realizada em um e-commerce asiático foi recebido pela moradora de Florianópolis, Caroline Fernandes.

Ao ver a repercussão sobre o primeiro relato das misteriosas sementes que chegaram em Santa Catarina, ela identificou que o material recebido na encomenda se trata de uma delas.

Caroline Fernandes recebeu pacote desconhecido junto com compras – Foto: Reprodução/ND

“Fiz uma compra há dois meses, e quando essa encomenda chegou, veio esse pacotinho com os ‘farelinhos’ dentro. No momento que recebi, não consegui identificar o que era”, relatou Caroline, que é funcionária do marketing da NDTV.

No entanto, após ver uma matéria na NDTV sobre o primeiro caso de recebimento deste tipo de embalagem em Santa Catarina, registrado em Jaraguá do Sul, ela identificou as sementes.

“Quando vi a matéria falei: ‘gente, eu recebi as sementes’. É muito pequeno, parecendo um farelinho de cupim. De forma alguma poderia imaginar que aquilo era semente”, conta.

Ela explica que as sementes chegaram embaladas e protegidas com plástico bolha, junto com os outros produtos. “Veio dentro de um saquinho com lacre… achei que fosse uma encomenda que tivesse vindo errado”, conclui, ao relatar medo e curiosidade com o episódio.

O que fazer com as sementes

A presidente da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), Luciane de Cássia Surdi, diz que se tratam de sementes de diferentes espécies vegetais não estão autorizadas a entrar no país, pois não há a devida fiscalização e verificação do destinatário.

A orientação é que, ao receber pacotes sem a devida procedência comuniquem por meio do 0800-644-6510 ou (48) 3665-7300 (WhatsApp).

Apesar de parecerem inofensivas, as sementes clandestinas podem estar contaminadas, disseminar pragas e doenças e, assim, causar sérios prejuízos econômicos e danos do ponto de vista da defesa sanitária vegetal.

“Temos que destruir essas sementes que estão sendo recebidas, pois podem afetar lavouras e principalmente a saúde do ser humano, pois não sabemos a procedência. São sementes, como por exemplo, de girassol, de citrus e até de eucalipto, por isso é importantíssimo que a pessoa que receber essa encomenda não abra e nos comunique”, comenta a presidente.

Como elas chegam ao cliente

De acordo com o que já foi apurado, a dinâmica do recebimento das sementes é simples: a pessoa realiza a compra em sites de e-commerce, geralmente de países de origem asiática e, ao receber a encomenda, encontra o grão que geralmente é embalado em três saquinhos, de diferentes tamanhos.

A princípio, as sementes não oferecem riscos graves à saúde. Porém, como ainda não se sabe a origem, a Cidasc recomenda que as pessoas não abram as embalagens.

Sementes não são apenas da China

Apesar de grande parte dos relatos envolver a compra em sites chineses, a engenheira agrônoma e gestora da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Cidasc, Fabiane do Santos, reforça que as sementes não são oriundas apenas da China.

Segundo ela, há informações de que os destinatários dos pacotes sejam de outros países asiáticos. “Não devemos vincular esses produtos apenas à China. O próprio governo já emitiu nota dizendo que alguns dos endereços estavam incorretos. Então, devemos ficar atentos com isso”, reforça.

A engenheira finaliza dizendo que o caso já está sob investigação, a fim de encontrar os responsáveis pelos envios ilegais.

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