Ministro da Educação defende títulos acadêmicos após questionamentos

O ministro da Educação, nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro, Carlos Alberto Decotelli, defendeu seu histórico acadêmico nesta segunda-feira (29), apesar de duas universidades, uma argentina e uma alemã, negarem ter concedido a ele os títulos declarados na plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Decotelli, um oficial de reserva da Marinha e a primeira pessoa negra a integrar o ministério de Bolsonaro, escreveu em seu currículo: “Bacharel em Economia (…), Mestre da Fundação Getúlio Vargas, PhD pela Universidade de Rosario [Argentina], pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, Alemanha”.

Depois de se reunir com Bolsonaro, Decotelli confirmou aos jornalistas que, apesar da polêmica gerada pelos questionamentos sobre seu currículo, “é ministro” e assumirá o cargo, embora ainda não haja data para isso.

Caso assuma, será o terceiro a comandar a pasta da Educação desde que Bolsonaro assumiu o poder, em 1º de janeiro de 2019.

Decotelli tentou justificar as inconsistências encontradas em seu currículo.

O presidente, que de acordo com a imprensa estava considerando a possibilidade de nomear outro para o cargo, informou mais tarde pelo Facebook que Decotelli está “ciente de seu erro” e destacou “sua capacidade de construir uma educação inclusiva”.

Na sexta-feira, o reitor da Universidade de Rosário, Franco Bartolacci, informou que Decotelli não havia obtido da instituição o suposto título de doutorado.

O Ministério da Educação reproduziu inicialmente um atestado de que Decotelli havia concluído o curso, mas o ministro designado corrigiu seu histórico, afirmando que havia concluído os créditos, mas “sem defesa da tese”, o que confirma que ele não obteve o título.

Nesta segunda, o ministro explicou que a banca avaliadora solicitou “ajustes” na tese, mas que ele teve que voltar ao Brasil “devido a dificuldades financeiras” e não pôde retornar à Argentina para defendê-la.

Também a Universidade de Wuppertal divulgou nesta segunda que Decotelli “realizou uma pesquisa de três meses em 2016” naquela instituição alemã, mas que “não obteve nenhum diploma” por lá.

O ministro designado não teria sido capaz de obter um diploma de pós-doutorado de qualquer maneira, já que ele também não havia obtido um doutorado.

Outra suspeita sobre sua carreira acadêmica surgiu no Brasil, com acusações de plágio na dissertação de mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

Sobre isso, o ministro aceitou que poderia ter havido uma “distração” (detalhando as fontes utilizadas), mas não plágio.

“É considerado plágio quando você ‘usa control C, control V’. E não foi isso”, argumentou.

Decotelli foi nomeado para substituir Abraham Weintraub, envolvido em inúmeras controvérsias. Bolonarista fervoroso, Weintraub chegou a publicar declarações racistas contra os chineses no Twitter, relativizou as atrocidades dos nazistas e chamou os juízes da Suprema Tribunal Federal de “vagabundos”, alegando que eles deveriam ser presos.

COM AGÊNCIAS

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