Ministério Público investiga se houve ato de improbidade do Prefeito de Manaus em uso de carro oficial e PM da Casa Civil no ‘Caso Flávio’


Flávio Rodrigues dos Santos foi encontrado morto após participar de festa na casa do filho da primeira-dama de Manaus, Elisabeth Valeiko, em setembro de 2019. Elizeu da Paz de Souza é policial militar que aparece entrando em condomínio com carro da Prefeitura de Manaus.
Reprodução/Grupo Rede Amazônica
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou, nesta segunda-feira (14), um procedimento preparatório para apurar se houve ato de improbidade administrativa praticado pelo Prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, e outros servidores da Prefeitura no caso do homicídio do engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos, de 41 anos, encontrado morto após participar de uma festa na casa do filho da primeira-dama de Manaus, Elisabeth Valeiko, no dia 29 de setembro de 2019.
Por nota, a Prefeitura de Manaus disse que todas as providências administrativas necessárias à apuração dos fatos foram tomadas à época e que as informações serão levadas ao conhecimento do MPAM.
De acordo com o Ministério, o suposto ato de improbidade administrativa será apurado devido ao uso de um carro oficial da pPrefeitura e a participação do policial militar Elizeu da Paz de Souza, que estava lotado na Casa Militar da Prefeitura de Manaus e, conforme investigações, seria segurança de Alejandro.
Na noite do dia 29 de setembro, noite do crime, o policial militar Elizeu da Paz foi flagrado por câmeras de segurança dirigindo um carro alugado da Prefeitura e entrando no condomínio onde o enteado do prefeito, Alejandro Valeiko, morava.
A polícia diz que o PM foi até o condomínio, colocou o corpo do engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos no carro da Prefeitura de Manaus e saiu do local, após o crime. Após a repercussão do caso, ele foi exonerado do quadro de servidores da Casa Militar.
Flávio Rodrigues dos Santos
Arquivo pessoal
No procedimento preparatório, assinado pelo promotor de Justiça Hilton Serra Viana, ele decide pela “apuração de suposto ato de improbidade administrativa praticado pelo Prefeito da Capital, Arthur Virgílio Neto e, eventualmente, por outros servidores da prefeitura a serem identificados, no âmbito do chamado “Caso Flávio”, consistente no emprego de veículos oficiais e agentes públicos em benefício do Sr. Alejandro Molina Valeiko, enteado do Prefeito”.
O caso
Flávio Rodrigues dos Santos foi morto na noite do dia 29 de setembro de 2019, depois de participar de uma festa na casa do enteado do prefeito de Manaus, Alejandro Molina Valeiko. O corpo de Flávio foi encontrado somente no dia seguinte no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus.
Quase dois meses depois, no dia 18 de novembro, a Polícia Civil realizou a reconstituição do crime. Durante quase cinco horas, os seis suspeitos e investigadores estiveram na casa de Alejandro Valeiko.
Seis pessoas foram presas suspeitas de terem participado no crime:
Alejandro Valeiko, de 29 anos;
José Edvandro Martins de Souza Junior, 31;
Elielton Magno de Menezes Gomes Junior, 22;
Vitorio Del Gatto, cozinheiro de Alejandro e que morava na residência. Em novembro, ele teve liberdade concedida por problemas de saúde;
Elizeu da Paz de Souza, 37, policial militar que estava lotado na Casa Militar da Prefeitura de Manaus e, conforme investigações, seria segurança de Alejandro;
Mayc Vinicius Teixeira Parede, 37 – que confessou o crime.
Após ser acusado pelo homicídio do engenheiro Flávio Rodrigues em 2019, Alejandro Valeiko foi liberado do sistema prisional em 25 de março de 2020, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
Ele foi solto após a uma decisão da Justiça de revogar a prisão preventiva. Ele passou a usar tornozeleira eletrônica e deve seguir medidas cautelares previstas, desde então.
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