O Ministério da Economia divulgou nesta terça-feira (14) nota técnica em que afirma que o  recorde de desmatamento em junho
pode ter sido uma “variação conjuntural” e não deve ser considerada por investidores
para julgar a política ambiental brasileira.

A nota técnica, elaborada pela Secretaria de Política Econômica (SPE), é publicada após críticas de investidores internacionais aos níveis de desmatamento
e queimadas na Amazônia.

Nesta segunda, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia saído em defesa da política ambiental do governo ao afirmar que o Brasil “alimenta o mundo, preservando o meio ambiente”. Guedes admitiu, no entanto, a possibilidade de corrigir erros
neste segmento.

A divulgação da nota e a fala de Guedes fazem parte de um esforço da equipe econômica para mitigar uma possível fuga de recursos
causada pela má avaliação de gestores de fundos estrangeiros
e nacionais sobre a política ambiental brasileira, fator decisivo nas movimentos dos investidores.

A pressão
dentro do país também está em alta. Nesta terça, ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central (BC) se uniram para assinar uma carta defendendo uma retomada econômica atenta ao meio ambiente e cobraram o desmatamento zero na Amazônia e no Cerrado.

O documento da SPE, de nove páginas cita, entre os dados, informações da Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito da preservação
de territórios. Um dos gráficos aponta que o Brasil responde por 12% da área preservada no mundo.

A nota também cita o recorde divulgado na segunda-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo o sistema Deter, o nível de desmatamento chegou a 1.034,4 km² devastados. O índice é 10,6% maior
do que o registrado no mesmo período, em 2019.

Na avaliação da SPE, os dados são conjunturais.

“Embora a extensão das áreas sob aviso de desmatamento
na
Amazônia
tenha crescido em junho, tais números ainda precisam ser confirmados e eles não são corroborados, até agora pelo menos, pelos focos de queimadas na região. Além disso, não se deve confundir movimentos conjunturais de curto prazo com políticas de governo de efeitos mais duradouros”, diz trecho da nota.

Embora afirme que não pretende relacionar a preservação
ambiental com o fluxo de investimentos, a pasta também cita dados sobre investimentos estrangeiros em 2019.

Segundo a nota, a entrada de recursos registrou alta de 29%. O documento se dirige especificamente a investidores,
que têm pressionado
o governo por ações para melhorar a preservação ambiental.

“Convidamos a todos, em especial aos investidores internacionais,
a fazerem essa diferenciação entre eventos conjunturais e políticas de governo robustas voltadas para o meio-ambiente que resultam nos elevados níveis de preservação da vegetação nativa brasileira. Críticas e sugestões sempre são bem-vindas, o debate econômico honesto engrandece a todos. Fundamental que esse debate seja feito com base em dados”, afirma a nota.