Michael Cohen, ex-advogado de Trump

O ex-advogado de Donald Trump Michael Cohen disse nessa quarta-feira (9) que o presidente dos Estados Unidos não está brincando quando fala sobre a ideia de ficar na Casa Branca por mais de dois mandatos.

“Donald Trump acredita que deveria ser o soberano, o ditador dos EUA. Ele realmente está procurando mudar a Constituição. Quando Donald Trump brinca sobre mais 12 anos… Ele não está brincando. Donald Trump não tem senso de humor”, afirmou Cohen à CNN.

“Quero que vocês entendam que quando ele diz mais 12 anos, se ele ganhar vai automaticamente no primeiro dia começar a pensar como pode mudar a Constituição para um terceiro mandato, e depois um quarto mandato, como ele disse para o presidente Xi [Jinping, da China] e para muitas outras pessoas. É por isso que ele admira os Kim Jong-uns do mundo”, disse Cohen, em referência ao líder da Coreia do Norte.

Mesmo durante uma trabalhosa campanha de reeleição, Trump tem mencionado repetidamente a ideia de um terceiro mandato, enquanto também busca semear dúvidas sobre a integridade das eleições de novembro.

“Vamos ganhar mais quatro anos”, declarou o presidente norte-americano em um comício na cidade de Oshkosh, Wisconsin, em agosto. “E depois disso, vamos para mais quatro anos, porque eles espionaram a minha campanha. Nós devemos conseguir mais quatro anos.”

‘Culto’

Alertando contra uma reeleição de Trump, Cohen descreveu o mandatário “como um culto”, com uma cultura que proíbe qualquer um de desafiar o presidente. “Não apenas a Organização Trump é como um culto, como a Casa Branca também é.”

“Qualquer um que queira trabalhar lá, Deus o livre de dizer algo errado. Deus o livre de fazer algo errado. Você é demitido. É por isso que há tantas pessoas entrando e saindo do governo. Acho que ele estabeleceu todos os tipos de recordes. Ele gosta de recordes. Bem, ele certamente estabeleceu o recorde de mais pessoas entrando e saindo do governo.”

Questionado sobre como Trump tem conseguido comandar a lealdade dentro do Partido Republicano, Cohen respondeu: “Porque ele é um líder de culto”.

“E as pessoas de alguma forma o seguem. Por quê? Não sei. Eu o fiz quando minha filha, minha mulher e meu filho me diziam constantemente: ‘Pare, não queremos que você trabalhe para ele. Você não precisa trabalhar para ele. O que está fazendo? As coisas que você está fazendo são moralmente erradas. Você perdeu sua bússola moral, acorde’.”

Lançamento de livro sobre Trump

Os comentários de Cohen surgem um dia após o lançamento de seu livro, no qual ele descreve Trump como “um enganador, mentiroso, uma fraude, alguém que faz bullying, um racista, predador, um vigarista”.

O ex-advogado do presidente foi uma espécie de porta-voz de Trump durante a campanha presidencial de 2016, antes de se declarar culpado em 2018 por fraude fiscal, mentir para o Congresso e violações de financiamento de campanha, ao facilitar o pagamento para silenciar duas mulheres que alegavam terem tido um caso com o presidente. Trump nega.

Quando se declarou culpado, Cohen culpou o presidente, dizendo a um juiz federal que ele havia feito os pagamentos “em coordenação e por ordem de” Trump, o qual os procuradores identificaram nos processos judiciais como “Indivíduo 1”.

“Se você olhar o final do livro, é mesmo uma convocação. É um alerta a qualquer um que esteja lendo o livro. Abram seus olhos e vejam que Donald Trump não se importa com ninguém ou qualquer coisa além dele mesmo. Ele não liga se um membro da sua família morrer, desde que não seja ele. Ele não se importa com nada a não ser ele mesmo e essa eleição”, afirmou Cohen. “E ele está disposto a sacrificar sua vida para ter mais quatro anos.”

Michael Cohen, ex-advogado de Trump

Michael Cohen, ex-advogado de Trump

 

Leitores On Line