“Me sinto mais madura, mais consciente e mais segura de mim”, diz Gisele Bündchen, ao completar 40 anos

GISELE BÜNDCHEN – FOTO: NINO MUÑOZ

Nem a chegada dos 40 anos, que completa hoje, nem o isolamento social deixam Gisele Bündchen estressada.  Se no começo da pandemia  se sentiu ansiosa, ela conta que logo depois conseguiu administrar a angústia – porque o sentimento negativo “baixa a imunidade”. Quanto ao aniversário, prefere usar a palavra amadurecimento em vez de envelhecimento. “Me sinto muito mais madura, mais consciente e mais segura de mim”, explica.

Mas nem tudo é zen no universo da supermodelo. Conhecida pelo envolvimento em causas ecológicas, Gisele se diz “triste” com a situação dos indígenas no Brasil, principalmente durante a pandemia, e espera que “nossos governantes comecem a tomar medidas contra o desmatamento”. Para celebrar o aniversário, vai plantar 40 mil árvores na região das bacias dos rios Xingu e Araguaia, mas planeja expandir o plantio por meio da plataforma de doações da ação Viva a Vida, que encabeça.

Uma das modelos mais bem pagas da história, a gaúcha vê com bons olhos a crescente inclusão de diferentes padrões de beleza  na moda e no crescimento da preocupação do consumidor com sustentabilidade.  “Essas mudanças são importantíssimas, necessárias e vieram para ficar”.  Em novo endereço, desde abril, quando se mudou de Massachusetts para Flórida, ela passa a quarentena com os filhos, Benjamin e Vivian, e o marido, o jogador de futebol americano Tom Brady.

“Estamos gostando da Flórida, lá é bem mais quente e temos sol quase todos os dias, o que me deixa feliz”. Leia abaixo alguns trechos da entrevista dada por e-mail à Marcela Paes.

Estamos com taxas atuais altíssimas de desmatamento na Amazônia e empresários estão ameaçando não investir mais no Brasil se medidas não forem tomadas. Acha que o governo brasileiro, de uma maneira geral, está sendo relapso nessa questão? 
Espero que nossos governantes comecem a tomar medidas contra o desmatamento para que não cheguemos a um ponto onde será muito difícil reverter a situação. Se demora anos, décadas, para a natureza conseguir recompor o que é destruído em poucos dias. Precisamos lembrar que sem a natureza, não teremos o tão almejado “progresso”. Não se pode querer crescer e evoluir às custas da destruição de algo. A natureza vem nos dando sinais há muito tempo de que precisamos mudar a forma com a qual nos relacionamos com ela, senão iremos sofrer as consequências.

Os indígenas também têm sofrido com a pandemia e com o pouco respaldo do governo. Tem acompanhado a situação?
Fico muito triste em ouvir o que está acontecendo na Amazônia e com os povos nativos. Eles são parte importantíssima da nossa história e cultura e merecem respeito, como qualquer um de nós. E por serem mais suscetíveis às doenças, precisam de um olhar atento dos governantes para que não sejam dizimados. Muitos não sabem, mas as reservas indígenas são importantíssimas para conter a destruição da natureza, pois são áreas protegidas e não podem ser adquiridas e apossadas por terceiros.

Você vai fazer o plantio de 40 mil árvores da Amazônia. Também costuma atuar em muitas causas do meio ambiente. Pensa em ter um santuário ecológico ou gerir uma ONG ambiental sua? 
Estou começando com 40 mil árvores, mas acredito que possamos plantar muito mais que isso com a ação Viva a Vida, que criei para celebrar meu aniversário. Adoraria ter um santuário ecológico, aliás meu sonho seria que o mundo todo fosse mais verde e todos pudessem ter mais contato com a natureza. Hoje, prefiro apoiar as organizações que já existem, desenvolvem um trabalho sério e têm larga experiência do que ter uma instituição própria.

A indústria de moda tem mudado bastante. Tanto em relação à preocupação com questões ambientais quanto aos aspectos de inclusão de diversos tipos físicos em campanhas e desfiles. Como enxerga isso?
Essas mudanças, tanto nas questões ligadas ao impacto ambiental quanto na inclusão de diferentes biotipos, são importantíssimas, necessárias e vieram para ficar. Nos dias atuais, as empresas têm recebido cada vez mais cobranças para se adequarem à realidade da sociedade e quem tem o poder de ditar a moda, deve sim dar o bom exemplo.

Quais mudanças observou na sua trajetória no mundo da moda? As coisas melhoraram?
A única coisa certa na vida é a mudança. Tudo muda e a moda não é diferente. Quando comecei em 1995, era uma outra época, não existiam as redes sociais e a velocidade em que tudo acontecia era diferente. Não posso julgar como melhor ou pior, era simplesmente diferente. Passávamos mais tempo conversando e conhecendo melhor uns aos outros.

Como é envelhecer para você?
Prefiro a palavra amadurecer. Me sinto mais madura, mais consciente e mais segura de mim. O tempo traz mudanças em nossa aparência, mas, se cuidarmos de nossa saúde, podemos continuar vivendo bem e com vitalidade. Cada ano que passa, é um presente. Pra mim, a beleza vem de uma luz interna, é o reflexo de um estado de espírito e não tem idade.

Atrizes e modelos conhecidas pela aparência sofrem um escrutínio maior do público que avalia a forma como envelhecem. Se incomoda com comentários do tipo?
Infelizmente, muitas pessoas tendem a julgar as outras por não estarem felizes com elas mesmas. Não me incomodo com comentários deste tipo. Meu foco está em minha saúde e minha aparência é simplesmente o reflexo de minha vida. O tempo passa para todos, para mim o mais importante é viver cada momento com presença, evoluir como ser humano e fazer a minha parte para deixar o mundo um lugar melhor.

Estamos passando por algo inédito, que é a pandemia global de covid-19. Como você está lidando com isso?
No início da pandemia, estava me sentindo ansiosa, porque via muitas notícias negativas. Então, procurei consumir conteúdos mais positivos, coisas que me agregassem algo e comecei a olhar para coisas que me deixavam feliz, como passar tempo com meus filhos e trabalhar nos projetos que quero concretizar. O estresse baixa muito a nossa imunidade, então procuro focar em coisas que elevem minha vibração.

Muita gente busca ver o aspecto positivo da pandemia e acha que sairemos melhores desta situação. Você concorda?
Acredito que tudo nos ensina algo. Essa situação faz com que tenhamos que aprender a ser mais flexíveis e a trabalhar juntos. Nos lembra também como estamos todos interconectados e como precisamos um dos outros para sobreviver. Isso é um alerta para sermos mais cooperativos ao invés de competitivos e valorizarmos a qualidade dos nossos relacionamentos.

Qual a rotina dentro de casa durante o isolamento?
Acho essencial tentar encontrar coisas que façam com que nos sintamos bem. Acordo antes do sol nascer, assim consigo meditar e malhar antes das crianças acordarem. Sempre gostei de cozinhar, limpar, passar roupa e cuidar da casa, tenho satisfação em ver tudo organizado, mas como viajava muito, não tinha tempo. Agora, estou aproveitando com as crianças e também as ensinando a ajudarem nas tarefas de casa. No início, elas não gostavam muito, mas agora já estão se acostumando e sinto que se sentem mais independentes.

Muitos pais se sentem sobrecarregados com os filhos e as aulas em casa. Isso acontece com você?
No início foi um pouco mais difícil, pois acaba demandando muito mais dos pais, mas aos poucos fomos nos adaptando à nova rotina.

Você se mudou recentemente para Flórida. Como está a adaptação na nova casa?
Estamos gostando da Flórida, lá é bem mais quente e temos sol quase todos os dias, o que me deixa feliz. Na casa que alugamos, podemos ver o pôr do sol todas as tardes, é lindo e também um momento especial para parar e agradecer por cada dia. Os vizinhos também têm sido muito legais e as pessoas em geral são simpáticas e alegres.

Com Agências