Mãe que confessou matar filho em Planalto é indiciada por homicídio triplamente qualificado, diz polícia


Alexandra Dougokenski também responderá por ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Autoridades disseram que ela admitiu ter matado o filho de 11 anos, Rafael Mateus Winques. Polícia Civil confirmou indiciamento na manhã desta quinta-feira (2)

Alexandra Dougokenski, mãe do menino Rafael Mateus Winques, de 11 anos, foi indiciada pela morte do filho nesta quinta-feira (2). Segundo a Polícia Civil, ela vai responder pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, asfixia e impossibilidade de defesa da vítima, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. A pena máxima pode chegar a 38 anos de prisão.
O G1 entrou em contato com a Defensoria Pública do RS, responsável pela defesa de Alexandra, e aguarda posicionamento.
Conforme a polícia, em depoimento, no último sábado (27), Alexandra admitiu que matou o filho Rafael estrangulado na noite do dia 15 de maio, em Planalto, na Região Norte do estado. Anteriormente, segundo as autoridades, a mulher alegava que havia matado o filho sem querer com medicamentos (dois comprimidos de Diazepam).
No entanto, o laudo da morte de Rafael apontou asfixia mecânica.
“Um caso estarrecedor. Buscamos trazer aos autos o passo a passo cronológico da investigada, e ao final a motivação do crime. Pretendemos entregar o inquérito ainda hoje [quinta] e esperar a manifestação do Ministério Público”, destaca o delegado Joerberth Nunes.
Cronologia do crime
Durante a coletiva de imprensa realizada pela Polícia Civil, na manhã desta quinta, o delegado Eibert Moreira Neto apresentou a cronologia dos fatos, desde o momento em que Alexandra reportou o desaparecimento do filho.
“No início, foram realizadas tentativas de localizar [Rafael], com o objetivo de buscar uma pessoa ainda em vida. Nos primeiros 10 dias, elementos foram sendo coletados e indícios apontavam para a convicção que na realidade a criança estava morta”, destaca o delegado.
De acordo com Eibert, surgiram elementos que levavam a crer que a mãe estava envolvida, foi então que a polícia confrontou Alexandra.
“No dia 25, ela acabou por confessar parcialmente o que havia ocorrido, alegando que havia ministrado comprimidos, e acreditando que a criança estava morta, acabou usando uma corda pra transportar o corpo até a casa onde [o corpo] foi encontrado”.
Alexandra Dougokenski admitiu ter matado o filho, segundo a polícia
Divulgação/Polícia Civil
A equipe da Polícia Civil de Planalto foi até o local indicado pela mãe e encontrou o corpo. Ela foi presa temporariamente.
De acordo com o delegado, o cadáver apresentava características que apontavam que a morte não havia ocorrido “pelo simples fato da mãe ter ministrado o medicamento, mas, sim, pelo fato de ter utilizado uma corda para produzir asfixia mecânica”.
Após a prisão, o delegado Eibert destaca que foram ouvidas diversas pessoas para esclarecer os fatos.
“Obtivemos informações referentes ao comportamento da investigada. Ela se mostrava extremamente fria com a situação, era um sinalizador pra gente. Naquele momento, nós ligamos um sinal de alerta”, diz.
Na reprodução simulada dos fatos, a intenção da polícia era confrontar a versão já apresentada pela suspeita. “Uma versão que já, naquele momento, não fazia o menor sentido. Não tinha a menor lógica a informação de que a investigada havia utilizado uma corda para transportar a vítima, já que ela tinha capacidade para transportar o corpo em seu colo, e o ambiente propiciava isso”, afirma Eibert.
“Não é normal que uma mãe, após ministrar um medicamento, percebendo que essa pessoa teve uma reação adversa, simplesmente amarre uma corda em seu pescoço e transporte o corpo. Esperava-se um outro comportamento dela.”
De acordo com a polícia, a casa onde a família morava fica há 400 metros do hospital da cidade.
“O celular dela tinha um aplicativo de acionamento do Samu que, sendo acionado, em questão de segundos poderia chegar na casa”, diz.
O delegado fala sobre o comportamento de Alexandra no momento em que ela entrou na casa para a reprodução simulada.
“No primeiro contato visual dela com a casa, foi extremamente perturbador pra ela, tendo em vista que quando ela notou que a casa estava fora da ordem que ela havia deixado, entrou em uma crise de nervoso. Esperávamos que ela tivesse essa crise pelo fato de estar retornando à casa que em tese houve a morte acidental do filho. O que mais perturbou foi a casa estar fora de ordem”.
De acordo com a polícia, durante todo o período de investigação, Alexandra apresentava informações que oscilavam entre a verdade e a mentira.
“Ela afirma ter tracionado a corda entre o quarto e a porta da casa, porém, quando chega na porta da casa, ela afirma carregar o corpo em seu colo, de forma que se questiona porque tracionar o corpo se podia simplesmente carregar. Afirma ter amarrado sobre os ombros da vítima, é obvio que qualquer pessoa amarraria por debaixo do braço”.
Polícia no local onde o corpo de Rafael Mateus Winques, de 11 anos, foi encontrado em Planalto
Débora Padilha/RBS TV
Tentativa de convencimento
No dia da reconstituição, o outro filho de Alexandra, o adolescente de 17 anos, e o namorado dela, foram autorizados a conversarem com a suspeita na delegacia de Planalto.
“Saíram da sala convencidos de que não era Alexandra a autora do homicídio. Ela simplesmente afirmou que o autor da morte havia sido o pai da criança e ambos acreditaram. Ela tem um potencial de convencimento muito grande, ela tem potencial de mentir”, afirma o delegado.
Segundo ele, a suspeita conseguiu inserir uma memória falsa no filho mais velho.
“Depois dessa conversa, ele disse que naquela noite o Rafael teria gritado ‘não, pai. Para’. O filho mais velho saiu da sala tendo certeza de ter ouvido os gritos naquela noite. Como ela teria potencial de introduzir uma memória falsa, sendo que ele nunca tinha comentado sobre isso.”
Compras pela internet e vídeos sexuais
A polícia apreendeu os aparelhos celulares de Rafael, Alexandra e de outras pessoas que inicialmente acreditava-se que poderiam ter envolvimento com a morte. “Quando analisamos o dela, ele estava com informações apagadas, que foi possível recuperar”.
“Verificamos que Alexandra teve diversos acesso à internet, a vídeos que nos chamaram a atenção por conta da característica deles. Eram vídeos com cenas de sexo, com violência, cenas de estupro, e todas essas cenas acompanhadas de asfixia das pessoas que sofriam a violência, tanto por esganadura, tanto por estrangulamento por corda”.
Também foram localizadas fotografias pornográficas em que mulheres apareciam envoltas de cordas.
“Na mesma noite, ela fez compras no mercado livre, de produtos de beleza”.
A polícia não sabe precisar em que momento da noite de 15 de maio as compras foram feitas e os vídeos acessados.
“Diante disso, resolvemos então fazer um novo interrogatório dela, o último [no sábado]. Antes de começar o ato formal, quando teve o primeiro contato visual comigo e com o delegado Ercílio, ela informou que precisava alterar a versão, que pra ela era um fardo muito grande manter a versão. Ela disse pra gente que havia ensinado o filho mais velho a falar a verdade e que ela devia isso a ele”, conta o delegado Eibert.
Foi então que Alexandra alterou a versão dos acontecimentos e admitiu ter matado o filho porque estava descontente com o comportamento dele. “Ele estava descumprindo as ordens dela”.
“As palavras dela foram: eu dei um medicamento meia-noite. Por volta das 2h, 3h, eu achei que ele tivesse acordado ainda, fui na área de serviço, peguei a corda, preparei o laço e fiz o que fiz.”
Rafael Mateus Winques tinha 11 anos.

COM AGÊNCIAS

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