Mãe lembra tristeza coletiva em UTI que atendeu filho morto por casal de menores: ‘Todos choraram comigo’


Jogador de basquete Samuel Rodrigues de Carvalho morreu após ser atraído para uma emboscada por uma adolescente de 17 anos. Garoto de 15 anos também participou do crime, em 14 de setembro do ano passado, em Piedade (SP). Samuel Rodrigues de Carvalho Campos foi esfaqueado e queimado em parque ecológico de Piedade
Arquivo Pessoal
O dia 14 de setembro de 2019 é lembrado com detalhes pela mãe de Samuel Rodrigues de Carvalho Campos, de 18 anos. Naquele dia o jovem morreu após ser atacado por dois adolescentes em um parque de Piedade (SP).
A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento e Urgência Móvel (Samu), com queimaduras de 2° e 3° grau, 12 ferimentos de faca na cabeça e cinco no corpo, além de ter sofrido perfurações no pulmão e no fígado, segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML).
Em entrevista ao G1, Andréa Carvalho de Campos conta que busca guardar as lembranças boas que têm do filho.
“Era um menino tão bonito, decente e honesto. Era o pivô do time de basquete, gostava demais. Participava de todos os campeonatos. Um excelente aluno, se formou em técnico de Alimentação, tirou nota 879 no Enem e pretendia fazer um curso de Direito”, relata.
Samuel Rodrigues de Carvalho Campos, esfaqueado e queimado vivo em parque de Piedade, foi enterrado em Sorocaba
Carolina Abelin/TV TEM
No momento em que soube que o filho tinha sido vítima de uma emboscada Andréa correu para a Santa Casa de Piedade. Segurando a mão da filha de oito anos, Andréa viu o filho chegar no hospital já quase irreconhecível.
“O Samu abriu as portas da ambulância e ele falou: ‘Mãe, eu te amo. Pede perdão para Deus se eu fiz algo errado, porque acho que vou morrer’. Parecia Jesus Cristo crucificado em uma cruz. Era coisa assim, forma do normal. Ele estava com os órgãos expostos.”
Três dias depois do ataque, em 17 de setembro, Samuel morreu no Hospital Regional de Sorocaba. Aquele era o dia programado para a efetivação no emprego onde estava há três meses. Tinha pago a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e feito curso de inglês porque sonhava em fazer um intercâmbio nos Estados Unidos.
“Naquele dia, arrancaram um pedaço de mim sem anestesia. O sonho dele foi cortado, foi ceifado. Não tinha uma pessoa daquele CTI que não chorava. Todos os pacientes e enfermeiros choraram comigo. A gente espera morrer primeiro do que os filhos, e não os filhos morrerem primeiro”, lamenta Andréa.
Anjo do amor
O nome ‘Samuel’ não foi escolhido por acaso pela família. O arcanjo Samuel é o anjo do amor, sentimento que para Andréa será sempre presente.
“A dor e o amor caminham juntinhos. O Samuel foi uma promessa de Deus desde o início, por isso que o nome dele era Samuel. Se eu não tivesse a Sara (filha de 8 anos), eu teria ido embora junto com o meu filho. Mas Deus deixou um legado para mim.”
Samuel Rodrigues de Carvalho Campos, morto em Piedade, sonhava em ser jogador de basquete profissional
TV TEM/Reprodução
Caso na Justiça
De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, o caso foi julgado no dia 14 de julho deste ano, como ato infracional análogo a homicídio. A adolescente de 17 anos e o namorado dela, de 15 anos, cumprem medida socioeducativa de internação na Fundação Casa.
Na decisão do TJ consta que o ato foi planejado com antecedência pelos infratores.
“Não há dúvida de que o ato infracional praticado é gravíssimo. Os adolescentes planejaram com antecedência o seu cometimento, utilizaram-se de dissimulação para atrair a vítima até um local ermo e a mataram com claros requintes de crueldade e frieza, queimando-a e, em seguida, desferindo-lhe diversas facadas”, conforme consta no documento.
No processo também informa que a adolescente, de 17 anos, tem um histórico de depressão e há necessidade de uma intervenção mais intensiva. Já o jovem de 15 anos, é descrito como dissimulado e não tem consciência da responsabilidade.
O crime
Samuel foi atacado na tarde de sábado (14), no Parque Ecológico Collemar de Miranda Botto, no bairro do Poço, e achado com queimaduras pelo corpo e marcas de faca. Segundo a polícia, uma adolescente de 17 anos e o namorado dela, de 15 anos, foram detidos e confessaram o crime.
O adolescente apreendido relatou à polícia que os três teriam combinado de se encontrar, para que a jovem terminasse com Samuel. Como Samuel jogava basquete e era alto, o adolescente contou que levou um litro de álcool e a faca para se defender em caso de briga.
Em seguida, o menino relata que teria visto Samuel tentando beijar a garota, que “ficou sem reação, foi para cima dele com uma faca e os dois entraram em luta corporal”. Na sequência, o esfaqueou na cabeça.
Sobre o álcool, o adolescente afirmou à polícia que jogou e acendeu o isqueiro para tentar afastar o jogador. Ainda de acordo com o registro, o jovem contou que faz tratamento contra depressão e que toma medicamentos.
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