Líder da oposição de Belarus pede liberação de aliada presa na fronteira com a Ucrânia

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Svetlana Tijanóvskaya pediu a libertação imediata de sua colaboradora Maria Kolésnikova. Foto de 27 de agosto mostra opositora Maria Kolésnikova, uma das integrantes do Comitê de Coordenação, em Minsk, capital de Belarus
Dmitri Lovetsky/AP
A líder da oposição bielorrussa no exílio, Svetlana Tikhanovskaya, pediu nesta terça-feira (8) a liberação imediata de sua colaboradora Maria Kolésnikova, de 38 anos. Ela foi detida na segunda-feira (7) na fronteira com a Ucrânia em um momento em que aumenta a repressão contra os críticos do presidente de Belarus, Alexander Lukashenko.
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Kolésnikova, que integra o “Conselho de Coordenação” da oposição, criado para preparar o caminho para uma transição política no país, é uma das poucas opositoras que permanecem no país. Na segunda-feira (7), testemunhas disseram que ela tinha sido levada por homens não identificados em um carro, mas a sua prisão não foi confirmada pelas autoridades.
Nesta terça, o porta-voz da Guarda de Fronteiras, Anton Bytchkovski, afirmou à AFP que Kolesnikova foi detida quando tentava atravessar a fronteira da Ucrânia com outros dois integrantes do Conselho Coordenação, Anton Rodenkov e Ivan Kravtsov. Os dois conseguiram entrar no país vizinho.
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“Maria Kolésnikova deve ser libertada imediatamente, assim como todos os membros do Conselho de Coordenação [para a transferência pacífica do poder] e presos políticos anteriormente detidos”, afirmou Tikhanovskaya, exilada na Lituânia.
“Você não pode manter pessoas como reféns. Ao sequestrar pessoas em plena luz do dia, Lukashenko mostra sua fraqueza e medo”, declarou Tijanóvskaya por meio de sua assessoria de imprensa em um canal do Telegram.
A ex-candidata à presidência, que denuncia fraude na eleição de 9 de agosto, afirmou que a função do Conselho de Coordenação é ser uma plataforma para negociações. “Não há outra solução e Lukashenko deve perceber isso”.
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Exílio
Além de Svetlana Tikhanovskaya, que está na Lituânia, outros nomes importantes da oposição buscaram refúgio no exterior por temor de serem presos.
Olga Kovalkova, que integra o Conselho de Coordenação, viajou à Polônia depois de receber ameaças do serviço de inteligência de Belarus.
Verónika Tsepkalo, diretora da campanha do marido, Valeri Tsepkalo, juntou-se a ele e deixou Belarus.
Duas lideranças importantes da oposição, o jurista Maxim Znak e a escritora Svetlana Alexievich, Prêmio Nobel de Literatura, seguem em Belarus.
6ª reeleição contestada
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Alexander Lukashenko, de 66 anos, governa Belarus desde 1994. A oposição acusa o governo de fraudar o resultado da votação de 9 de agosto em que ele foi reeleito pela 6ª vez. Desde então, o país vive uma onda inédita de protestos. Até o momento, o chefe de estado descarta qualquer tipo de diálogo.
Desde o início das manifestações, mais de 7 mil pessoas foram detidas. De acordo com o Ministério do Interior, na segunda-feira (7), 363 pessoas continuavam em detenção provisória e aguardavam a análise de seus casos pelos tribunais.
No domingo (6), apesar da grande presença das forças de segurança, mais de 100 mil pessoas saíram às ruas do centro da capital, Minsk, quarto fim de semana consecutivo de mobilização desde a polêmica reeleição. Outras manifestações aconteceram em cidades como Grodno ou Brest (oeste). Mais de 600 pessoas foram detidas.
Os países europeus não reconheceram os resultados das eleições e preparam sanções contra importantes autoridades bielorrussas.
Lukashenko que, antes da eleição criticou as tentativas de “desestabilização” de Moscou, agora denuncia um “complô” ocidental e tenta se aproximar da Rússia, seu tradicional aliado e parceiro econômico.

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