Jovem de Heliópolis participa de evento com representantes da ONU e diz que comunidades precisam ter ‘voz’


João Victor de Paula é pesquisador do projeto ‘Observatório De Olho na Quebrada’, e morador de uma das maiores favelas do Brasil, na Zona Sul de São Paulo. Evento com estudantes ao redor do mundo foi promovido por fundação belga. Jovem de Heliópolis participou de encontro com representantes da ONU para discutir futuro da organização
Reprodução
Do seu quarto em Heliópolis, a maior favela de São Paulo, João Victor de Paula Pinto, de 19 anos, se conectou com jovens ao redor do mundo e com representantes da Assembleia das Nações Unidas (ONU) para discutir o futuro da instituição. O encontro virtual foi promovido nesta segunda-feira (21) por uma fundação belga, a “Fundação para a Governança Global e Sustentabilidade (FOGGS)”.
A ONU comemorou, nesta segunda, 75 anos de existência, e o evento foi realizado para discutir a ONU que os jovens querem ver nos próximos 25 anos.
“Eu sou o João, de Heliópolis, a maior favela de São Paulo, eu sou pesquisador do Observatório de Olho na Quebrada e acredito que nós precisamos dar voz às comunidades”, disse o estudante de Biomedicina no começo de sua fala.
Ele também relatou que os problemas da comunidade pioraram durante a pandemia, e que os moradores se sentem desassistidos pelo governo. Heliópolis foi criada na década de 70 e atualmente tem mais de 200 mil habitantes.
“Então acho que eu, como parte do Observatório, vejo que o mundo que eu quero é um mundo onde as pessoas podem ter autonomia. Onde a gente possa cuidar de nós mesmo mas que não precise ser abandonado para isso, sabe?”
João Victor deseja que a autonomia possa ser desenvolvida como uma capacidade e não como uma resposta da falta de assistência. “A ONU precisa dar um suporte, mas não precisa fazer pela gente, assim como o governo”.
A ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Fernanda Espinosa, agradeceu e comentou a intervenção do estudante.
“Quando [as pessoas] se sentem abandonadas por seu governo, há um grande guarda-chuva para todos, que é o sistema internacional e multilateral, a grande arquitetura de Direitos Humanos que foi criada e gerada nos espaços da ONU”.
João Victor estuda Biomedicina e é pesquisador do ‘Observatório de Olho na Quebrada’
Arquivo pessoal/MaryFotografia
O estudante representou o Brasil no evento após vencer um concurso internacional de textos com o tema “A ONU que queremos para o mundo que merecemos”. A competição, promovida pela fundação belga FOGGS, teve a parceria da Universidade Metodista de São Paulo.
O “Observatório de Olho na Quebrada” foi criado com o objetivo de reunir dados de violência policial. Com a pandemia, expandiu a atuação e também passou a fazer pesquisas do impacto da pandemia na comunidade.
Para João Victor, o projeto é uma das maneiras da comunidade ter autonomia, e seu desejo é que outras comunidades do Brasil possam ter iniciativas semelhantes.
Ele conta que, no passado, ao ser perguntando onde morava, falava que era no Ipiranga (bairro vizinho), mas que com o tempo foi quebrando preconceitos.
“Hoje eu bato no peito e falo que sou de Heliópolis. Queria que vissem que não é o que passam de depreciativo por aí, e precisamos ser respeitados como todo mundo é. Heliópolis é um bairro muito nobre, tem muita história. Toda quebrada do Brasil podia ter essa organização. O mundo que eu quero é que todo mundo tenha oportunidade para se expressar”.
A comunidade de Heliópolis, na Zona Sul da capital paulista.
Divulgação/PMSP

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