Joinville prorroga restrições em mercados e comércios por causa da pandemia do coronavírus


Estabelecimentos só podem funcionar com 30% da capacidade e devem permitir a entrada de uma pessoa por família. Circulação de ônibus também segue suspensa. Cidade não tem leitos de UTI disponíveis pelo SUS. MP e Defensoria Pública questionam Prefeitura de Joinville sobre pandemia

A Prefeitura de Joinville, no Norte catarinense, prorrogou por mais sete dias, por meio de decreto baixado nesta segunda-feira (3), as medidas que limitam a circulação de pessoas em mercados e supermercados da cidade, e a suspensão do transporte coletivo – que já estava proibido por força de decisão estadual. A cidade concentra a maior parte dos casos e mortes por Covid-19 em Santa Catarina: são 7.634 pessoas infectadas, das quais 134 não resistiram à doença.
No momento não há vaga nas 70 UTIs disponíveis na rede pública para pacientes com a doença. E o Hospital Bethesda, que oferece 10 leitos para pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), também informou nesta segunda que não tem condições de receber pacientes na terapia intensiva por falta de medicamentos, principalmente anestésicos, que não têm sido encontrados para compra no mercado.
Na última semana, a Defensoria Púbica e o Ministério Público enviaram questionamentos à Secretaria de Saúde municipal sobre as ações tomadas durante a pandemia. Entre as perguntas está quando o município poderá decretar o lockdown, medida por ora sem previsão de ser tomada pela prefeitura.
Cidade de Joinville concentra a maior parte dos casos de Covid-19 em SC

Prorrogação de medidas
Com o decreto desta segunda, as regras em vigor por sete dias, a partir de 5 de agosto, são:
Só está permitida a entrada de uma pessoa por família em shoppings centers, supermercados e demais comércios varejista ou atacadista. Esses locais terão que limitar em 30% a capacidade de público;
Fica limitada a 30% a capacidade de público em academias, igrejas, templos e afins, e serviços com atendimento presencial ao público — exceto os de assistência à saúde.
O município também prorrogou até 9 de agosto as seguintes medidas:
Suspensão da circulação de veículos de transporte coletivo urbano municipal e intermunicipal de passageiros;
Autorização da circulação de motocicletas e motonetas nas faixas exclusivas para ônibus.
Questionamentos
A Defensoria Pública que saber em qual momento da pandemia a Prefeitura de Joinville poderá decretar o lockdown, medida mais dura de isolamento social. Os questionamentos foram enviados na sexta (31), depois da lotação de UTIs chegar a 93% nas redes pública e privada. Os defensores perguntam sobre a capacidade de atendimento dos hospitais, se já há pacientes sendo levados a outras cidades, e se um hospital de campanha está nos planos da administração municipal.
Já a 15ª Promotoria de Justiça quer saber quais medidas foram tomadas depois que a região onde fica a cidade passou a ser considerada gravíssima para o coronavírus na classificação do governo do estado, e enviou uma lista com 45 perguntas para a prefeitura, abordando o que foi feito com relação a bares, restaurantes, academias, w comércio em geral, incluindo a lotação dos espaços, e outras regras. E questiona também se tem sido feito o monitoramento de pacientes em isolamento domiciliar.
A prefeitura disse nesta segunda que as informações serão repassadas para os dois órgãos e que não há ainda previsão de adoção de lockdown no município.

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