ISP relata queda em homicídios no RJ; agosto tem o menor índice da série histórica para o mês

Instituto também contabilizou menos mortes por intervenção policial, roubos de carga, carros, entre outros. Dinâmica de crimes contra as mulheres, entretanto, preocupa, apesar de queda geral durante a pandemia. O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulgou índices de ocorrências policiais de agosto com queda em números em relação ao mesmo período do ano passado e acumulados no ano para crimes como homicídio, mortes por intervenção policial, roubos de carros, cargas e roubos de rua. Os homicídios dolosos caíram 20% – segundo o órgão, o menor valor para o indicador no mês de agosto em toda a série histórica, iniciada em 1991.
O lado negativo do levantamento foi a dinâmica dos crimes de violência contra a mulher. Embora a maioria dos tipos de registros de ocorrências envolvendo violência física e psicológica tenham diminuído em números absolutos, o próprio ISP observa que a proporção de crimes mais graves que ocorreram em casa aumentou.
O mesmo ocorreu com a quantidade de ligações para o Serviço 190 da Polícia Militar denunciando crimes contra a mulher, que subiu 12,2%. O levantamento levou em conta o período de isolamento social contra a Covid-19, de março a agosto. O ISP também observou que, no fim de agosto, alguns índices de crimes contra as mulheres já se aproximavam ao patamar de antes da pandemia
Os dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) foram compilados após os registros de ocorrência feitos nas delegacias de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro no mês de agosto. Sobre os homicídios, no total, foram contabilizadas 320 mortes em agosto de 2019 e 256 em agosto de 2020.
O estado registrou ainda a queda de 11% dos homicídios dolosos nos oito primeiros meses de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a agosto deste ano foram 2.413 vítimas contra 2.723 no mesmo período de 2019. O número de latrocínios subiu em 5 casos em agosto, embora tenha apresentado queda no acumulado do ano (29).
O ISP informou ainda que contabilizou ainda a queda no número de latrocínios (roubo seguido de morte). Foram 58 vítimas nos oito primeiros meses de 2020, 29 mortes a menos que no mesmo período de 2019. Em agosto deste ano, foram registrados 11 roubos seguidos de morte.
Confira outros índices divulgados:
Crimes violentos letais intencionais (homicídio doloso, roubo seguido de morte e lesão corporal seguida de morte): 2.492 vítimas nos oito primeiros meses de 2020 e 269 em agosto – esses valores representam o menor para o acumulado e para o mês desde o início da série histórica em 1999. Na comparação com o ano passado, o indicador apresentou queda de 12% em relação ao acumulado do ano e de 18% em relação a agosto de 2019.
Roubo seguido de morte (latrocínio): 58 vítimas nos oito primeiros meses de 2020 e onze em agosto. Na comparação com o ano passado, o indicador apresentou 29 mortes a menos em relação ao acumulado do ano e cinco a mais em relação a agosto.
Morte por intervenção de agente do Estado: 878 mortes nos oito primeiros meses de 2020 e 50 em agosto. Na comparação com o ano passado, o indicador apresentou queda de 30% em relação ao acumulado do ano e de 71% em relação a agosto.
Roubo de carga: 3.516 casos nos oito primeiros meses de 2020 e 416 em agosto. Na comparação com o ano passado, o indicador apresentou queda de 33% em relação ao acumulado do ano e de 29% em relação a agosto.
Roubo de veículo: 17.407 ocorrências nos oito primeiros meses de 2020 e 1.793 em agosto. Na comparação com o ano passado, o indicador apresentou queda de 38% em relação ao acumulado do ano e de 44% em relação a agosto.
Roubo de rua (roubo a transeunte, roubo de aparelho celular e roubo em coletivo): 49.201 registros nos oito primeiros meses de 2020 e 5.414 em agosto. Na comparação com o ano passado, o indicador apresentou queda de 42% em relação ao acumulado do ano e de 45% em relação a agosto.
Violência contra a mulher no isolamento social
Segundo o ISP, desde a adoção do isolamento social no estado do Rio de Janeiro, em 13 de março, até o dia 31 de agosto, houve redução das ocorrências de violência contra a mulher registradas nas Delegacias da Secretaria de Estado de Polícia Civil:
43,2% do número de mulheres vítimas de violência moral;
43,1% do de violência patrimonial;
39,7% das vítimas de violência psicológica;
27,9% das de violência sexual; e de 27,9% das vítimas de violência física.
Os crimes tipificados pela Lei Maria da Penha também apresentaram diminuição: 30,0%.
“É importante destacar que, apesar da queda dos registros das transgressões analisadas, a proporção de crimes mais graves que ocorreram em casa aumentou. No período estudado em 2020, 67,1% dos crimes de Violência Sexual (58,3% em 2019) e 66,0% dos de Violência Física (60,2% em 2019) aconteceram dentro de casa”, disse o instituto, em texto distribuído para a imprensa.
O número de ligações para a Central de Atendimento do Disque Denúncia apresentou redução de 19,1% para casos de “Violência contra Mulher”. Por outro lado, o Serviço 190 da Polícia Militar apresentou aumento na quantidade de ligações sobre “Crimes contra a Mulher” (12,2%), na mesma comparação de datas.
O ISP observa ainda que, desde o final de maio, o registro de vítimas mulheres vem aumentando. Em agosto de 2020, nota-se que os números estão voltando a se aproximar do patamar observado em 2019. Na última semana de agosto, contudo, os registros relacionados à violência sexual, psicológica e moral caíram notadamente na comparação com 2019. Já o número de ligações para o 190 e para o Disque Denúncia permanece relativamente estável nos últimos meses do período de isolamento.
Na análise mensal, os números de vítimas de feminicídio e de tentativa de feminicídio caíram em agosto deste ano se comparados com o mesmo mês de 2019. No último mês, foram registradas três vítimas de feminicídio (contra 6 em agosto de 2019) e 17 vítimas de tentativa (contra 34 em agosto de 2019).
O total de vítimas mulheres de crimes que foram registrados sob a Lei Maria da Penha apresentou uma queda de 4,2% em agosto de 2020 em relação ao mesmo mês do ano anterior. No entanto, houve aumento de 6,9% se comparado ao total de registros de julho de 2020.
Os crimes de lesão corporal dolosa e ameaça apresentaram queda de 9,5% e 11%, respectivamente, no número de vítimas mulheres no mês de agosto de 2020 em comparação a agosto de 2019. Já o crime de estupro teve um aumento de 6,5% no número de vítimas mulheres, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Em paralelo com o mês de julho de 2020, houve aumento do número de vítimas para os três delitos: 3,4% a mais para lesão corporal dolosa, 13,4% para ameaça e 24,8% para as vítimas de estupro.
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