Incêndios florestais nos EUA deixam 16 mortos e obrigam evacuação de 500 mil pessoas em Oregon

Cerca de 500 mil pessoas foram evacuadas no estado de Oregon, na quinta-feira, em razão dos incêndios florestais no Noroeste dos Estados Unidos. Centenas de casas foram destruídas e ao menos 16 pessoas morreram desde segunda-feira em razão do fogo, que se expande de modo sem precedentes na Costa Oeste americana.

O meio milhão de pessoas evacuadas no Oregon, o mais afetado pelos incêndios, corresponde a cerca de 10% de sua população de 4,2 milhões de habitantes. As chamas do maior foco, segundo os serviços de emergência, se aproximam dos subúrbios de Portland, a maior cidade do estado, que está em alerta.

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A governadora Kate Brown alertou que o número de vítimas pode aumentar. A política democrata pediu que a Casa Branca declare emergência nacional, o que permitiria a mobilização de recursos extraordinários para conter o incêndio, mas até o momento o governo de Donald Trump não respondeu.

— Esta pode ser a maior perda de vidas e propriedades causada pelo fogo em nossa história — disse, enquanto equipes de resgate realizam buscas, e famílias relatam desaparecidos. — Este não será um evento isolado. Nós estamos sentindo os efeitos da crise climática.

Até esta sexta-feira, mais de 12,5 mil quilômetros quadrados já queimaram entre o Norte do Oregon e a fronteira sul dos Estados Unidos, segundo o Washington Post. Entre os mortos, 10 estão na Califórnia e quatro no Oregon, além de um menino de 1 ano no estado de Washington, que faz fronteira com o Canadá.

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No Sul de Oregon, uma cena apocalíptica mostra casas e trailers queimados por quilômetros na Rodovia 99. A combinação de altas temperaturas e ventos quentes, secos e fortes faz com que o estado sofra uma temporada de incêndios sem precedentes, sendo o epicentro dos mais de 100 grandes focos na região.

Apenas em Oregon, há 3 mil bombeiros lutando contra cerca de 40 focos, mas estima-se que seria necessária uma equipe duas vezes maior. A polícia abriu uma investigação sobre a origem do fogo que destruiu boa parte das cidades de Phoenix e Talent após se originar em Ashland, perto da fronteira sul com a Califórnia.

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— Temos bons motivos para crer que houve um elemento humano — disse Rich Tyler, porta-voz dos bombeiros do estado, sobre o foco, conhecido como “incêndio de Almeda”. — Vamos seguir adiante com uma investigação criminal, a menos que tenhamos razões para achar o contrário.

Ao menos quatro departamentos de polícia alertaram sobre mensagens falsas que culpam o grupo antifascista Proud Boys por iniciar os incêndios, que se alastram até mesmo por áreas costeiras de florestas que geralmente são poupadas. Na região do Vale do Santiam, equipes de resgate encontraram o corpo de um menino de 12 anos morto com seu cachorro em um carro. Acredita-se que sua avó também tenha morrido.

Na vizinha Califórnia, há 28 focos de incêndio ativos. Lá, o fenômeno se repete anualmente: as temperaturas extremas do verão e a secura eliminam por completo a umidade, e ventos fortes e quentes ajudam os incêndios a tomarem grandes proporções. Apesar de o estado estar habituado com o cenário, a situação este ano está próxima do limite, com quase 30 focos ativos.

Apenas neste ano, recordes 1,25 milhão de hectares já foram destruídos, 20 vezes mais que no ano passado. Seis das 20 maiores queimadas da história do estado aconteceram em 2020. Por todo o estado, cerca de 64 mil pessoas precisaram abandonar suas casas em um momento ou outro. Um terço dos deslocados é do condado de Butte, ao norte da capital, Sacramento, onde mais de 2 mil casas foram destruídas por um incêndio que se alastra por quase 100 mil hectares.

Em Sierra Nevada, a noroeste de Fresno, segue ardendo o Creek Fire, que já consumiu mais de 66 mil hectares de uma área com vegetação extensa. Cerca de 360 casas foram afetadas, e mais de 5 mil correm risco de destruição. Na quarta e na quinta, a cidade de São Francisco amanheceu com o céu vermelho, em razão da mistura de um foco de incêndio com a névoa da cidade.

Mesmo para aqueles que não estão no caminho das chamas, a fumaça apresenta riscos: no domingo, a cidade de Los Angeles registrou seu maior pico de poluição por ozônio em 26 anos. Segundo cientistas climáticos, o aquecimento global contribui para que o verão seco e o inverno chuvoso tornem-se mais intensos. Logo, a vegetação floresce mais intensamente para, meses depois, secar com o mesmo vigor, tornando-a mais volátil e abundante para os incêndios.