Idosos terão prioridade em nova etapa de testes de vacina contra a Covid-19 no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou ontem a inclusão de mais 5 mil voluntários nos estudos da vacina da Universidade de Oxford no Brasil. Com isso, o número total de participantes no país poderá chegar a 10 mil. Os testes deverão ainda ser estendidos a mais dois estados: Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Atualmente, eles acontecem no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia.

A Anvisa autorizou ainda que a faixa etária dos voluntários seja ampliada para maiores de 69 anos. O pedido da inclusão de participantes idosos foi feito pela AstraZeneca, laboratório que patrocina o desenvolvimento da vacina da universidade britânica. E este público terá prioridade na seleção dos voluntários.

Os testes chegaram a ser suspensos no último dia 6 após uma possível reação adversa apresentada por uma voluntária do Reino Unido. No sábado, porém, a Universidade de Oxford, que conduz os experimentos, anunciou a retomada dos estudos clínicos. A Anvisa autorizou, no mesmo dia, a continuidade no Brasil.

A Anvisa afirmou, em nota, que solicitações de ampliação de voluntários e outras mudanças em testes clínicos são comuns. A agência cita como exemplo uma alteração autorizada na última semana em outra pesquisa sobre vacina, desenvolvida pela Pfizer-Wyeth, que pediu a inclusão de um novo local de fabricação para as substâncias que estão sendo utilizadas nos testes. “Estas mudanças estão relacionadas ao objetivo da pesquisa, que é produzir dados sólidos sobre o desempenho de cada produto e conhecer melhor os seus efeitos em diferentes grupos populacionais”, destacou a Anvisa.

De acordo com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o recrutamento de voluntários e a aplicação da vacina acontecerão em Natal (RN), em Porto Alegre (RS) e em Santa Maria (RS). Os outros três centros já existentes — em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia — continuarão recebendo voluntários.

“Incluímos nessa fase pessoas que sabidamente têm risco mais elevado de complicações da Covid-19 e, assim, o estudo pode refletir ainda mais a realidade. Além de ampliarmos bastante o número de participantes, o que dará ainda mais robustez na análise de dados relacionados à segurança e eficácia da vacina”, disse à Globonews a professora Lily Weckx, coordenadora do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie/Unifesp), que ressaltou ainda: “Quando a idade limite (para os testes) acabou, nós já estávamos terminando os testes com voluntários, então poucos idosos receberam”.

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