Ideb: Brasil avança no ensino médio, mas não consegue bater meta

Depois de 12 anos praticamente estagnado, o Brasil registrou em 2019 o maior avanço na série histórica do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) na etapa do ensino médio. O país passou de 3,8, em 2017, para 4,2, na última edição. O avanço foi puxado, principalmente, pela rede pública de ensino. O aumento de 0,4 ponto na média geral, no entanto, não foi suficiente para que o país atingisse a meta de 5,0 estabelecida para a etapa. O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram os dados do Ideb nesta terça-feira.

Principal indicador da educação básica, o Ideb varia numa escala de 0 a 10. O índice é calculado a cada dois anos para os anos iniciais e finais dos ensinos fundamental e médio. Para compor o Ideb, O MEC leva em consideração as notas dos estudantes na prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que foi aplicada nos meses de outubro e novembro do ano passado, e os índices de aprovação, compilados pelo Censo Escolar. O Inep não divulgou ainda os dados específicos sobre o desempenho de escolas e municípios.

Esse é o primeiro ciclo do Ideb a pegar meses do governo de Jair Bolsonaro. A educação básica, no entanto, é de responsabilidade principal dos estados e municípios. O ensino médio foi o foco das políticas do ex-presidente Michel Temer a partir da reforma da etapa em 2017 e da criação de programas voltados para impulsionar o ensino médio em tempo integral nas redes estaduais.

Embora tenha obtido um avanço significativo no ensino médio, o país descumpriu pela quarta vez consecutiva a meta estabelecida para o ensino médio. Na rede estadual, 26 unidades da federação apresentaram acréscimo no Ideb em relação a 2017, sendo o Paraná a rede com maior aumento: 0,7. Somente Sergipe manteve a mesma nota registrada na edição anterior: 3,7. Apesar disso, esses avanços não foram suficientes para que os estados atingissem seus objetivos. Somente Goiás conseguiu cumprir a meta de 4,8 estabelecida para a etapa. O estado, junto com o Espírito Santo, tem a melhor média do país. Na outra ponta, com os Idebs mais baixos nessa etapa aparecem o Amapá e o Pará, ambos com 3,4.

Quando observamos as regiões do país, ficam visíveis as desigualdades. O Norte e o Nordeste concentram o desempenho mais baixo, com 3,4 e 3,9, respectivamente. Já o Sudeste, Sul e o Centro-Oeste registraram a mesma média: 4,4.

Rede pública tem avanço maior

Embora em termos gerais tenha um Ideb menor do que o registrado na rede privada, a rede pública, que é responsável por 87,8% das matrículas de ensino médio no país, teve um avanço superior em comparação com o Ideb 2017. É importante ressaltar que o MEC considera a nota das escolas estaduais, que reúnem 97% das matrículas da rede pública na etapa.

Enquanto o Ideb da rede pública passou de 3,5 para 3,9, um aumento de 0,4 ponto, na rede privada, a nota passou de 5,8 para 6, um crescimento de 0,2. A maior parte das escolas públicas (80,9%) está em faixas intermediárias de Ideb, registrando notas que vão de 3,2 a 5,1. Nos extremos, há 9,7% das escolas com Ideb até 3,1, e 9,3% com índice acima de 5,2.

Ambas as redes estão à mesma distância de alcançar suas metas: 0, 8 ponto. Enquanto a rede pública registrou 3,9 no Ideb em 2019, a projeção estimava 4,7. No caso das escolas privadas, a nota foi 6, contra uma meta de 6,8.

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