Ibovespa recua com exterior negativo; Via Varejo desaba mais de 5%

A bolsa brasileira abriu em queda acompanhando as desvalorizações dos mercados internacionais, conforme escalam as tensões sino-americanas. Nesta sexta-feira, 24, a novela ganhou um novo capítulo, após a China mandar fechar o consulado americano em Chengdu, como retaliação ao fechamento de seu consulado em Houston.

Às 12h18, o Ibovespa, principal índice de ações, recuava 0,22% para 102.064 pontos. No exterior, os índices americanos S&P 500 e Nasdaq têm respectivas quedas de 0,47% e 0,80%

Entre os investidores, há o temor de que a briga diplomática tenha impacto negativo na economia global, com possíveis sanções comerciais de ambos os lados e ameaças ao acordo comercial selado no início do ano.

Ontem, em entrevista coletiva na Casa Branca, o presidente Donald Trump afirmou que o acordo com a China, agora, significa “muito menos” do que antes da pandemia, voltando a acusar o país asiático de ter disseminado o coronavírus no mundo de forma deliberada.

“O mercado está meio em dúvida sobre como isso vai evoluir daqui para frente”, disse Bruno Lima, analista de renda variável da Exame Research.

Para Lima, o embate entre as duas potencias tem sido alimentado pelo desejo do presidente Trump agradar seus eleitores, o que deve fazer com que a tensão se estenda, pelo menos, até as eleições americanas. “O Trump deve seguir tentando conversar mais com seu eleitorado, até porque as pesquisas apontam um certo favorecimento para o lado do partido Democrata.”

Nem mesmo os índices de gerente de compras (PMIs, na sigla em inglês), que vieram além do esperado, foram suficientes para fazer as bolsas subirem. Na Europa, todos os principais PMIs ficaram acima da linha dos 50 pontos, que delimita a expansão da contração da atividade econômica. Por lá, o destaque ficou para os dados do Reino Unido, que além de ter ficado com o PMI composto de julho em 57,1 pontos (acima dos 51,1 pontos projetados pelo mercado e dos 47,1 pontos de junho), ainda surpreendeu com as vendas do varejo, que aumentaram 13,9% em relação ao mês anterior, ante a expectativa de 8% de alta.

Para Gustavo Bertotti, economista da Messem, o cenário poderia estar ainda pior se não fossem os PMIs positivos. “Eles seguraram parte das quedas, principalmente na Europa. O mercado vinham eufórico, mas a crise diplomática está se sobrepondo aos dados econômicos”, afirmou. O economista também chama a atenção para o índice de volatilidade do mercado americano, o Vix, que avança 6,7%, depois de já ter subido 7% na véspera. “Essa tensão entre China e Estados Unidos está pressionando a bolsa desde ontem.”

Na bolsa, as ações das varejistas com forte exposição digital voltam a cair, depois de liderarem as perdas da véspera. Via Varejo, Magazine Luiza e B2W se desvalorizam 5,2%, 3,7% e 4,3%. “As ações delas acumulavam forte alta no ano. Então, estão passando por um movimento de realização de lucros”, disse Bertotti.  Já os papéis da Cogna, que vinha se valorizando mais de 20% no mês, lidera as perdas da sessão, recuando 6,5%.

No extremo positivo, estão as ações do IRB, que avançam 6%, mas ainda acumula as maiores perdas do mês e do ano entre os componentes do Ibovespa. Entre os ativos do Índice Small Caps, o destaque fica com as ações da Positivo, que avançam 4,5%, depois de a empresa ter ganhando a licitação para compra de urnas eletrônicas.

Com Agências

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