Hydro e Golar cancelam acordo para fornecimento de GNL a refinaria no Pará

A Norsk Hydro anunciou nesta 2ª feira (12.out.2020) que rescindiu junto à Golar Power e à Celba (Centrais Elétricas Barcarena) 1 memorando de entendimento para fornecimento de gás natural para a refinaria de alumina Alunorte, no Pará. Segundo o comunicado, a decisão foi mútua.

O acordo havia sido anunciado em julho de 2020. A Golar, por sua vez, afirmou que a Hygo Energy –joint venture entre a Golar LNG e a Stonepeak Infrastructure Partners– “permanece comprometida com o Terminal de Barcarena e seus planos não serão afetados”. Eis o informe.

A usina termoelétrica Novo Tempo Barcarena foi negociada em leilão de energia em outubro de 2019. Faz parte de 1 projeto integrado de importação de GNL (gás natural liquefeito) e geração de energia no Pará. O certame foi vencido pela Golar Power (49,50%), BEP – Brazilian Energy (24,75%), OAK Participações (24,75%) e Celba (1%).

Segundo a Golar, “a construção está prevista para começar em breve, com o início das operações no 1º semestre de 2022”.

TROCA DA PRESIDÊNCIA

No mesmo comunicado, a Golar informa que Paul Hanrahan assumirá como CEO efetivo da Hygo Energy na próxima 2ª feira (19.out.2020). Ele entrará no lugar de Eduardo Antonello, que deixou o cargo no fim de setembro depois de ser citado na 75ª fase da operação Lava Jato.

“O conselho aceitou a renúncia do Sr. Antonello e seu desejo de proteger e isolar a Hygo de qualquer interpretação enganosa causada por recentes alegações envolvendo o Sr. Antonello por ações tomadas antes de seu trabalho para Hygo”, diz o texto.

Em 23 de setembro, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nas sedes da Golar Power e da Oak Participações cumprindo uma decisão (368 KB) da juíza Gabriela Hardt, da Lava Jato em Curitiba. O objetivo foi apurar possíveis ilícitos cometidos por Antonello e outros na contratação de navios lançadores de linha para a Petrobras com a empresa Sapura, do grupo Seadrill, conglomerado representado por Antonello, que teria recebido dinheiro ilegal por essas operações de agosto de 2012 a julho de 2014.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), Antonello, além de possivelmente corromper funcionários da Petrobras, teria recebido alguma parte dos pagamentos nos contratos assinados e depositou para si próprio em outros países.

A defesa de Eduardo Antonello nega. Em nota (íntegra – 15KB), afirma que “as notícias que vêm sendo veiculadas são exclusivamente baseadas em alegações de delatores, não traduzindo a realidade dos fatos” e que “todos os contratos noticiados, além de terem sido celebrados por diretoria que não está envolvida na operação Lava Jato, foram submetidos aos mais rigorosos procedimentos de fiscalização e compliance da Petrobras e mantidos integralmente em vigor”.