https://venha.leraqui.net/wp-content/uploads/2020/09/bebel20gilberto.html desabafa sobre o pai (dela e da bossa nova) em disco com cara retrô


São Paulo

“Sabia que a primeira música do disco foi a primeira música que a gente escreveu juntos? E a letra sou eu cantando para ele”, diz https://venha.leraqui.net/wp-content/uploads/2020/09/bebel20gilberto.html, sobre a faixa “Tão Bom”, parceria com o produtor e tecladista americano Thomas Bartlett. A relação musical dos dois é a principal força por trás de “Agora”, mais novo disco da cantora.

“Tão bom ter você/ tão bom te encontrar/ tão bom passar o dia assim inteiro/ sem planejar”, ela canta na faixa, que descreve também o clima da produção do álbum. Para seu primeiro disco de estúdio em seis anos, ela teve encontros com o produtor em Nova York, nos últimos três anos.


A cantora https://venha.leraqui.net/wp-content/uploads/2020/09/bebel20gilberto.html
Divulgação

Foi um momento conturbado da vida de Bebel, que perdeu Miúcha e João Gilberto, a mãe e o pai, em 2018 e 2019. “Não foi fácil, não está sendo fácil. Não tenho processado isso, não tive tempo. Agora, estou podendo tentar entender. Antes, estava com a mente ocupada —e isso é bom. Não adianta pirar, ficar louco. O negócio é trabalhar e tirar o melhor desse momento.”

“Agora”, diz Bebel, funcionou como um escape para lidar com as perdas. Mas o disco é multifacetado, carrega a melancolia dessa fase e também tem faixas sutis e românticas.

Esteticamente, o trabalho mescla o canto doce e quieto com base na bossa nova de Bebel em arranjos com cara retrô, mas abordagem moderna. O álbum foi construído em partes por samples e colagens de sons antigos.

“O Thomas trabalha muito com samples, loops de sons que ele reforma, transforma, filtra. Ele tinha esquetes, e eu tinha ideias melódicas. Então, ou a gente partia da minha melodia ou de um loop. Tinha dias que eu passava inteiro só fazendo arranjos com ele.”

O disco acabou soando minimalista e com “cara de filme antigo”, como diz a cantora, que deixava longas como “A Bela da Tarde”, de 1967, rodando no estúdio. Músicas como “Bolero” são canções de amor de “momentos que eu estava com alguma coisa para resolver com alguém”, ela diz.

O toque eletrônico, ainda que não faça o seu novo disco soar sintético, remete a “Tanto Tempo”, seu álbum de 2000 que atualizou o som da bossa nova e foi um sucesso de vendas. “Talvez, 20 anos depois, eu esteja tentando namorar de novo a receita que me botou no mapa.”

A dupla tocou quase todos os instrumentos —Bebel é responsável até por um trombone— e escreveu todas as faixas que acabaram no disco. Enquanto fazia o álbum com Bebel, Barlett também trabalhava com nomes como Sufjan Stevens, Norah Jones e Yoko Ono. Mas a relação deles já tem mais de uma década.

Bebel e Bartlett se conheceram num “clube superunderground” de Nova York por causa de um amigo comum, o percussionista brasileiro Mauro Refosco. “Ele era lindo, carismático, e tinha todas essas ideias minimalistas que, para mim, foram necessárias. A gente se entendeu musicalmente, nunca tivemos um romance —o romance é todo musical.”

Uma das faixas de “Agora”, “O Que Não Foi Dito”, é uma espécie de despedida, desabafo e um último recado de Bebel ao pai. “O que não foi dito, já estava escrito/ deixa eu cuidar de você, pois é preciso.”

A faixa foi escrita há três anos, quando Bebel entrou com um processo para interditar o pai. “Estava perto de ganhar a interdição e precisava tirar aquilo do meu peito. Já tinham saído notícias desagradáveis. Fiquei muito triste. Como isso acontece com uma pessoa que gosta de ficar quietinha? Foi uma lavação de roupa que eu nunca quis, só fiz minha obrigação, que era cuidar do meu pai.”

Ela diz que João Gilberto estava “muito forte” no fim da vida. Mas pensa que o momento poderia ter sido mais tranquilo, não fosse a repercussão das brigas familiares. “E, infelizmente, você sabe como são os idosos, ainda mais quando se cercam das pessoas erradas.”

Bebel diz ainda que não há mais brigas com os irmãos e defende a advogada Silvia Galdeman, indicada para cuidar do inventário de João. “É uma pessoa neutra, que entende do assunto. Não me acho capacitada para cuidar da obra. Sou artista. Existe uma dívida enorme com o banco, um problema com a gravadora. Não existe disputa nenhuma. E, de resto, prefiro não comentar.”

Agora

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  • Produção Thomas Bartlett
  • Gravadora PIAS Recordings

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