Grandes empresas mostram apetite por soluções criadas pelas startups

Aline Bronzati, Fernanda Nunes e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 05h00

 

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SÃO PAULO e RIO – Uma das formas que as cleantechs têm para ganhar relevância é por meio de parcerias com grandes empresas. E esse intercâmbio já virou realidade: essas startups são selecionadas com cada vez mais frequência para desenvolver soluções para petroleiras, companhias de energia, fabricantes de papel e mineradoras. “As cleantechs são importantes para a gente. Com a ajuda dessas empresas, conseguimos acelerar ainda mais a transição de matriz energética”, diz Rafael Marciano, gestor de inovação da gigante do setor elétrico EDP.

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A companhia tem dois programas de geração de negócios com startups de olho em programas de armazenamento (baterias) e mobilidade elétrica, por exemplo. A primeira brasileira a entrar no portfólio da companhia, a Delfos, aplica inteligência artificial para prever falhas em equipamentos de energia, por exemplo.

Mesmo a Petrobrás, dona de um dos maiores centros de tecnologia em energia do mundo, o Cenpes, se rendeu aos benefícios das cleantechs. A estatal participa da iniciativa Oil & Gas Climate Initiative (OGCI), fundo de US$ 1 bilhão que investe em startups na busca de tecnologias para um mundo de baixo carbono.

À medida que a demanda de soluções cresce, as startups começam a se organizar de maneiras inovadoras. Isso já pode ser percebido no setor de energia, no qual o Energy Hub SDP, que nasceu em plena pandemia, já reúne 36 startups. Desse total, 40% são voltadas a soluções renováveis, atuando também nas áreas de petróleo e gás e eletricidade. No momento, o grupo estrutura com a Câmara Comércio Americana (AHK) um “mini-hub” direcionado às energias alternativas.

“Os hubs têm a missão de serem conectores do ecossistema de inovação, ligando empresas, cadeia de fornecedores, investidores, academia e governo para alavancar a inovação no setor”, diz Luiz Mandarino, diretor de parcerias do Energy Hub SDP.

Resíduos

As cleantechs também se dedicam a soluções para rejeitos. A Klabin, por exemplo, busca um parceiro para encontrar alternativas para resíduos sólidos gerados na fabricação de celulose. “Quase todas as startups com as quais a gente se relaciona têm de seguir preceitos de sustentabilidade e economia financeira”, diz a gerente de inovação da Klabin, Renata Freesz.

Com as tragédias de Mariana e Brumadinho em seu histórico, a Vale lançou, ao lado da Firjan e do Senai, um programa para ajudar no desenvolvimento social do Espírito Santo a partir de ideias de startups. As soluções devem estar ligadas à gestão de resíduos sólidos e à segurança ferroviária.

Para o gerente de tecnologia e inovação para sustentabilidade da Vale, Sandoval Carneiro, as estruturas descomplicadas das startups favorecem o surgimento de boas ideias. “Startups com atuação em projetos sustentáveis têm a capacidade de encontrar soluções de forma ágil e criativa para os desafios nos campos social e ambiental”, disse ele, em comentário enviado ao Estadão/Broadcast.

O interesse pelas cleantechs também inclui o setor financeiro. Depois de Bradesco, Itaú Unibanco e Santander se debruçarem em ações em prol da Amazônia, o Banco do Brasil também entrou na onda sustentável. A instituição decidiu separar metade do orçamento de R$ 200 milhões para apoiar startups para um para um fundo verde. É a primeira iniciativa do banco neste sentido.

O objetivo do BB, conforme revelou a Coluna do Broadcast, é investir em novatas que sigam à risca critérios ambientais, sociais e de governança. Entre os exemplos estão empresas que já nasceram adaptadas à economia de baixo carbono ou companhias do agronegócio que priorizem o uso limitado de defensivos.

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Douglas Gavras e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 05h00

 

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Repleto de carências, que vão dos problemas para a gestão de resíduos ao baixo nível de saneamento, o Brasil é considerado um terreno fértil para a propagação de startups com “pegada verde”, as chamadas cleantechs. Das mais de 13 mil novatas que operam no Brasil, atualmente há 174 que aliam negócios com sustentabilidade. Embora ainda tímido frente ao todo, o número é quase o dobro na comparação com agosto do ano passado, quando apenas 96 novatas compunham essa lista, conforme mapeamento da Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

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O movimento, que teve início nos Estados Unidos, começa a ganhar corpo no Brasil. O motor vem do maior interesse de investidores, que passam a ver oportunidades de retornos tão atrativos quanto aos de startups tradicionais, e ainda por parte das grandes empresas, que têm buscado parcerias nesse universo (ler mais abaixo). “As grandes empresas são porta aviões e, para que cumpram sua missão, se utilizam das startups que atuam como caças para atacar alvos específicos”, compara o diretor do comitê de cleantech da Abstartups, Renato Pasquet.

Entre as principais áreas de atuação das startups verdes estão energia limpa, armazenamento de energia, transporte, água e agricultura. Em São Paulo, a CUBi, por exemplo, faz uma gestão inteligente de energia elétrica para o mercado industrial. O sistema criado pela empresa monitora onde e de que forma a eletricidade de uma fábrica é consumida , otimizando o processo.

“A CUBi nasceu durante um mestrado que fizemos nos EUA. Voltamos ao Brasil e começamos a levantar dinheiro em editais de inovação. No ano passado, entramos mais firmes no mercado”, diz um dos quatro fundadores, Ricardo Dias, de 29 anos.

No caso da Time Energy, em Campinas, no interior de São Paulo, a economia de energia também inclui o varejo. A startup atende a mais de 50 empresas, seguindo o modelo de desagregação do uso, em que é possível medir o consumo de diferentes setores para traçar planos de economia. “Ainda há muito desperdício. Se conseguimos fazer o mesmo trabalho com menos energia, não é preciso arcar com os impactos da construção de novas usinas”, diz o gerente de pesquisa da startup, Leandro Pereira, de 32 anos.

Segundo Hudson Mendonça, coordenador do LabrInTOS, laboratório de Inovação da Coppe/UFRJ, as startups verdes podem ter um papel ainda mais importante no cenário atual, em que o governo brasileiro é cobrado por agentes locais e do exterior a melhorar práticas de sustentabilidade e reverter os recordes de desmatamento vistos no governo de Jair Bolsonaro. “É plenamente possível conciliar uma política fiscal mais austera com o desenvolvimento de startups verdes de grande potencial de crescimento no País”, diz o pesquisador.

A preocupação ambiental também é o que orienta a mineira Sensix. A empresa criou um sistema que monitora lavouras, por meio de drones, e consegue mapear as áreas que precisam de defensivos agrícolas, por exemplo, sem que haja um uso excessivo. “O produtor precisou digitalizar a lavoura. E, ao contrário de outros setores, o agronegócio vai bem e vamos crescer mesmo na pandemia”, diz o diretor executivo, Carlos Ribeiro, de 28 anos. A empresa já opera na Argentina e deve levar o negócio para EUA e Canadá.

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