Governo federal está acabando com o ministério do meio ambiente, afirma senador

O senador Fabiano Contarato (Rede-SE) afirma que o governo federal está, aos poucos, acabando com o ministério do meio ambiente. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 16, o parlamentar, que é presidente da Comissão do Meio Ambiente no Senado Federal, opinou sobre o papel do Congresso Nacional para a preservação ambiental e para o combate às intensas queimadas que atingem o Pantanal e a região da Amazônia. Para ele, o Brasil está “tendo um comportamento totalmente inadequado” para a preservação dos biomas. “Contra fatos não há argumentos, o governo federal queria acabar com o ministério do Meio Ambiente. Ele não conseguiu isso direito, mas está acabando de fato[com a pasta], porque ele acabou com a secretaria de mudanças climáticas, com o plano de combate ao desmatamento, com o departamento de educação ambiental, criminaliza ONGs, reduz a participação da sociedade civil e autorizou a utilização de 503 agrotóxicos diferentes em 2019”, enumera.

Fabiano Contarato afirma que tem visitado povos guaranis kaiowá que, segundo o senador, “estão sendo dizimados porque os grandes proprietários de fazendas aplicam agrotóxicos“, o que acaba gerando problemas de saúde da comunidade indígena. O parlamentar reforça ainda o papel do Congresso Nacional na preservação. “Temos que reavaliar isso [situação ambiental]. O artigo 225 da Constituição é claro que o Congresso Nacional tem que preservar o meio ambiente. O meio ambiente é um direito de todos e um dever do Estado. Temos a maior potência que é a Amazônia, então temos uma possibilidade e o Congresso deve dar uma resposta”, afirma. Fabio Contarato finaliza fazendo um apelo:”É preciso entender que a sustentabilidade com a geração de emprego e renda podem caminhar de mãos dados com tranquilidade. Estamos vigiando para preservar o meio ambiente porque isso é preservar a vida”, diz o senador.

A discussão sobre a preservação do meio ambiente ganha forças em um momento em que a região amazônica passa por uma série histórica de queimadas, com aumento de 86% na quantidade de focos de calor na primeira quinzena de setembro em relação ao mesmo período do ano passado, apontam dados do Greenpeace. Em 2020, já foram identificados 64.498 incêndios na Amazônia, enquanto no Pantanal foram 689 incêndios, o que representa que 12% da extensão do bioma já foi destruída pelo fogo até o final de agosto. Ao mesmo tempo, em resposta à situação, mais de 200 empresários e ONGs formaram o Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que pedem a adoção de medidas pelo governo federal para reduzir o desmatamento e a degradação da Amazônia. Entretanto, para o presidente Jair Bolsonaro, e também para o vice-presidente, Hamilton Mourão, as críticas a incêndios na Amazônia e no Pantanal são”desproporcionais”.

 

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