Sob tensão com EUA, petroleiros iranianos chegam à Venezuela

O primeiro dos cinco petroleiros enviados do Irã para a Venezuela chegaram ao país sul-americano no início da noite deste sábado, apesar de uma autoridade americana ter avisado que Washington considerava alguma resposta à chegada das embarcações.

O petroleiro iraniano Grace 1, que foi apreendido por britânicos no ano passado em Gibraltar
O petroleiro iraniano Grace 1, que foi apreendido por britânicos no ano passado em Gibraltar
O petroleiro iraniano Grace 1, que foi apreendido por britânicos no ano passado em Gibraltar
Jorge Guerrero – 15.ago.19/AFP

Fortuna foi o primeiro navio a adentrar as águas venezuelanas às 19h40 no horário local (20h40 no horário de Brasília), após passar por Trinidad e Tobago, segundo o software que monitora o tráfego marítimo, Refinitiv Eikon.

“Os navios da fraternal República Islâmica do Irã estão agora em nossa zona exclusiva econômica”, tuítou Tareck El Aissami, vice-presidente da Economia da Venezuela, recenemente nomeado ministro do Petróleo.

A televisão estatal do país mostrou imagens do um navio da marinha e de uma aeronave que se preparavam para ir ao encontro do petroleiro iraniano. O ministro da Defesa havia prometido escolta militar assim que a flotilha alcansasse a zona exclusiva econômica venezuelana devido ao que autoridades locais classificaram como amaeaças dos EUA.

O Irã afirma que os EUA destacaram quatro navios de guerra e um avião de espionagem eletrônica para acompanhar e, possivelmente, interceptar seus petroleiros.

Washington não comentou oficialmente, mas desde abril têm mantido exercícios navais regulares no Caribe, visando deixar o regime de Nicolás Maduro sob pressão. O porta-voz do Pentágono afirmou que não tinha conhecimento de operação relacioanda às embarcações, enquanto uma autoridade dos EUA disse que o país considerando tomar medidas em resposta a isso.

Mais cedo neste sábado, o presidente iraniano, Hasan Rouhani, alertou sobre medidas de retaliação contra os Estados Unidos se Washington causar problemas para petroleiros levando combustível do país para a Venezuela, segundo uma agência de notícias do Irã.

“Se nossos petroleiros do Caribe ou de qualquer lugar do mundo encontrarem problemas causados pelos americanos, eles também vão ter problemas”, disse Rouhani em uma conversa telefônica com o emir do Qatar. “O Irã nunca começará um conflito”, disse Rouhani. “Esperamos que os americanos não cometam um erro.”

O chanceler do país, Javad Zarif, também alertou sobre uma possível retaliação em carta enviada à ONU (Organização das Nações Unidas), na qual afirmava que o Irã iria responder à altura de qualquer “ato de pirataria”. Zarif lembrou ainda que ambos os países estão sob sanção pelos EUA, mas nada os impede de fazer negócios entre si.

O envio das embarcações é um socorro para a escassez de gasolina na Venezuela. Estima-se que os petroleiros levem cerca de 1,53 milhão de barris de gasolina e alquilato, segundo os dois governos e cálculos do site TankerTrackers.com. Os combustíveis são suficientes para um mês de consumo.

Além de elevar a tensão externa, a ajuda iraniana gerou novas críticas da oposição da Venezuela. O país já foi um grande exportador de petróleo e hoje enfrenta uma grave crise econômica.

“[O governo] está tentando transformar uma vergonha em uma vitória épica”, afirmou Oscar Rondero, legislador da Comissão de Energia da Assembleia Nacional, controlada pela oposição.

Fonte: Da Redação