Argentina estende quarentena até 7 de junho e endurece medidas em Buenos Aires

O presidente argentino, Alberto Fernández, anunciou na noite deste sábado (23) a ampliação da quarentena obrigatória em algumas regiões até 7 de junho devido à pandemia de coronavírus. O país iniciou o “lockdown” dos principais centros urbanos em 20 março, quando também fechou suas fronteiras.

Com a extensão, esses locais terão um dos confinamentos mais duros do mundo, com 80 dias no total. Em Wuhan, berço da pandemia, foram 76 dias, na Itália, 70, no Reino Unido, 69, na França, 55.

Ruas de Buenos Aires têm permanecido vazias durante 'lockdown' na capital da ARgentina
Ruas de Buenos Aires têm permanecido vazias durante 'lockdown' na capital da ARgentina
Ruas de Buenos Aires têm permanecido vazias durante ‘lockdown’ na capital da ARgentina
Martín Zabala – 22.mai.20/Xinhua

Em certas províncias já há flexibilização das medidas –em 10 das 23 do país não há contágio detectado há uma semana. Nesses locais, a atividade comercial e industrial foi retomada parcialmente. O cenário contrasta com a capital e seu entorno, onde o “lockdown” é mais duro. Com 40% dos argentinos morando na Grande Buenos Aires, a região viu um aumento de 100% nos casos em uma semana.

Fernández explicou que esse resultado era esperado, uma vez que a pandemia “chegou aos bairros populares, onde há mais concentração de gente e menos recursos para realizar o isolamento”. Por conta disso, em vez de flexibilização, a região conhecida como Amba (Área Metropolitana de Buenos Aires) terá ainda mais restrições.

Uma das medidas que serão tomadas a partir da próxima semana é a criação de um novo sistema de autorizações para circular na cidade. Só poderão se afastar mais de 500 m de suas residências os considerados de atividades essenciais, como trabalhadores das áreas de saúde, alimentação e combustível, além de políticos, diplomatas e jornalistas.

Para se deslocar, será necessário pedir permissão ao governo, por meio da internet, e esperar receber um QR code, que deverá ser apresentado a policiais no transporte público. Já o sistema de checagem de febre e outros sintomas da Covid-19 será ampliado nas estações de trem.

As medidas de quarentena da Argentina têm resultado no aumento da popularidade de Fernández, que tem hoje 80% de aprovação popular. O índice é maior do que alcançou sua madrinha política, a hoje vice-presidente, Cristina Kirchner, durante o seu mandato (2007-2015).

Por outro lado, nas últimas semanas vêm aumentando o incômodo de empresários e comerciantes, que querem reabrir seus negócios, com apoio da oposição ao governo. Nos bairros mais pobres, onde grande parte dos moradores atua no mercado informal, também tem havido protestos, por fome e por medidas assistenciais que ainda não chegam a todos.

A situação tem gerado panelaços e manifestações de alguns setores. Ainda assim, Fernández segue repetindo seu slogan nesta quarentena: “É possível levantar uma economia que cai, mas não um corpo”.

Neste contexto, o governo não pagou, na sexta-feira (22), juros da dívida externa no valor de US$ 503 milhões (R$ 2,8 bilhões).

Com isso, o país entrou numa moratória técnica, que durará, ao menos, até dia 2 de junho, quando a Argentina terá de entrar em acordo com seus credores. Se não fizer o pagamento, será o nono calote da história argentina.

Até a noite de sábado, o país registrou 10.636 casos de coronavírus e 433 mortes no total.

Fonte: Da Redação