Fome e vacina podem gerar nova onda de migração no mundo pós-COVID, alerta chefe da Cruz Vermelha

Marinha alemã resgata imigrantes no Mediterrâneo, que partiram da Líbia, 29 de março de 2016

Jagan Chapagain, chefe da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC), fez a previsão sombria em um comentário sincero na quinta-feira (23).

“Os bloqueios e fechamentos de fronteiras aplicados em muitas partes do mundo já estão levando as pessoas além da margem da pobreza. O desespero os obriga a escolher entre a exposição à COVID-19 e o risco de passar fome”, explicou Chapagain à Agência AFP.

“O que ouvimos é que muitas pessoas que estão perdendo meios de subsistência, uma vez que as fronteiras começam a se abrir, se sentirão compelidas a se mudar”, acrescentou.

Chapagain ressaltou que não deveria ser uma surpresa se “um enorme impacto na migração” ocorrer nos próximos anos ou meses.

No entanto, a potencial crise migratória pode ser evitada ou atenuada se essas queixas forem resolvidas antes que os migrantes deixem seus países de origem, disse o chefe da IFRC, oferecendo um argumento econômico ousado para apoiar seu argumento.

“O custo do apoio aos migrantes, durante o trânsito e, é claro, quando eles chegam ao país de destino, é muito mais do que apoiar as pessoas em seus meios de subsistência, educação e necessidades de saúde em seu próprio país”, destacou ele.

Semelhanças com migrações de 2015 e 2016

Os líderes europeus apresentaram argumentos semelhantes após o grande afluxo de migrantes que atingiu o continente em 2015 e 2016. A Alemanha, o principal destino dos requerentes de asilo, prometeu milhões para programas de reconstrução no Oriente Médio e Norte da África.

Outro fator impulsionador além da iminente onda de migração também está diretamente relacionado à pandemia, que já infectou mais de 15,5 milhões e matou mais de 633 mil pessoas em todo o mundo.

Os migrantes em potencial podem sentir que suas chances de sobrevivência são melhores “do outro lado do mar”, afirmou Chapagain, sem indicar nenhum destino específico. Ainda segundo ele, as pessoas basearão sua decisão de viajar na “disponibilidade de vacinas [contra COVID-19]”.

“Se as pessoas veem que a vacina está disponível, por exemplo, disponível na Europa, mas não na África, o que acontece?”, questionou. Ele também criticou os países que devem manter reservas de vacinas promissoras para si mesmos primeiro.

“O vírus atravessa a fronteira, por isso é muito míope pensar que vacino meu povo, mas deixo todo mundo sem vacinação, e ainda estaremos seguros”, completou.

Com Agências

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