Fogo Cruzado: participação de agentes públicos em tiroteios no Rio diminui 71%

Quase dois meses após o ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar apenas operações excepcionais no estado do Rio, em especial nas comunidades fluminenses, durante a pandemia do SARS-Cov-19, a plataforma Fogo Cruzado afirma que diminuiu em 71% a participação de agentes públicos em tiroteios no Grande Rio. Segundo o levantamento, que o EXTRA teve acesso, no mês de julho de 2020, também houve uma queda de 59% no registro de confrontos no estado em comparação ao mesmo período do ano passado. Ainda conforme a pesquisa, houve uma redução de 68% no número de baleados. Foram 94 frente aos 293, em julho de 2019.

Segundo o Fogo Cruzado, nos 31 dias de julho o estado registrou 323 confrontos com armas de fogo na Região Metropolitana do Rio. Para a plataforma, houve uma queda de 54% nos registros em comparação ao mesmo mês de 2019, quando foram computados 697 confrontos. Ainda de acordo com o levantamento, a presença de agentes de segurança nesses episódios diminuiu 71% este mês. Ainda segundo a plataforma, agentes do estado estiveram presentes em 65 tiroteios em julho de 2020 e em 222 no mesmo mês de 2019.

Para Maria Isabel Couto, gestora de dados e porta-voz da Plataforma Fogo Cruzado, “o estado já vinha com uma tendência de queda de confrontos com arma de fogo. Mas, com a decisão do ministro Fachin, despencou”.

— A medida do ministro, se mantida ou não, foi importante para mostrar que o padrão das operações do Rio são violentas e traz consequências graves para o ponto de vista das pessoas. Mas, quando proíbe ou não (uma operação policial) polariza o debate. O que foi importante, e ficou claro, é que quando diminui as operações, reduz também o número de mortes — destacou a pesquisadora.

Dos 94 baleados neste mês, segundo o Fogo Cruzado, 52 não resistiram aos ferimentos e morreram. Já das 293 vítimas de julho de 2019 – que foram alvejadas por disparos de arma de fogo – 163 morreram.

Ainda de acordo com o relatório, que será divulgado nesta sexta-feira, no acumulado do ano de 2020 – de janeiro até julho –, houve 2.928 tiroteios/disparos de arma de fogo que deixaram 1.133 pessoas baleadas (sendo 569 mortas e 564 feridas). Em comparação com os sete primeiros meses de 2019, quando houve 4.876 tiroteios/disparos que deixaram 1.804 baleados – 940 mortos e 864 feridos –, este ano teve queda 40% nos tiroteios e de 37% na quantidade de baleados.

PMs durante operação no Complexo do Lins

PMs durante operação no Complexo do Lins Foto: Fabiano Rocha / Agência O GloboDe acordo com Maria Isabel, “é preciso treinar mais os agentes de segurança do estado e ter uma cadeira clara de comando das operações, para que – caso algo saia do controle – o líder seja responsabilizado”.

— Até o MP (Ministério Público) tem dificuldade de encontrar o responsável por uma ação policial que fugiu do controle e trouxe algum tipo de dono colateral. Ter uma clara cadeia de comando, durante uma ação policial, é importante para responsabilizar as instituições na garantia da vida. A garantia da vida é importante. Uma operação precisa ser planejada, ter policiais treinados para não ceifar a vida das pessoas e um líder. Tanto na Polícia Militar, na Polícia Civil e no Exército, há uma hierarquia e quem está embaixo só obedece a quem está em cima. Por isso, volto a dizer, é importante saber quem organiza (as ações policiais), pois essa pessoa tem que ser responsabilizada caso haja algo de errado — avaliou.

Município do Rio encabeça a lista de registros

Ainda de acordo com os pesquisadores, foram registrados 198 tiroteios ou disparos de fogo na cidade do Rio este mês. O município concentrou 61% de todos os tiros da Região Metropolitana, ficando em primeiro no ranking entre os com mais registros. Em seguida, vêm Duque de Caxias (29), São Gonçalo (22), Niterói (16) e Nova Iguaçu (14). A capital fluminense também concentrou o maior número de baleados, foram 40 este mês – sendo 19 mortos e 21 feridos.

Entretanto, o mês de julho registrou dois tiroteios a mais que o mês anterior – junho que foram 321 confrontos.

O levantamento também monitorou confrontos por bairros. A região que mais registrou confrontos em julho foi a Vila Kennedy, na Zona Oeste, com 22 registros. Em seguida aparecem Tijuca (11) e Vicente de Carvalho (10), na Zona Norte; Praça Seca, na Zona Oeste (9) e Complexo do Alemão (8). Em quarto lugar no ranking, a Praça Seca, teve o maior número de mortos, foram quatro este mês.

UPPs também foram monitoradas

O Fogo Cruzado também se debruçou em cima dos tiroteios registrados em áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O levantamento mostra que em julho de 2020 foram 32 tiroteios nessas regiões. O Complexo do Alemão lidera com oito confrontos, seguido por Borel (7), Andaraí (5), Providência (3) e Complexo da Penha (3).

A assessoria da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que a corporação não comenta dados não oficiais.

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