Flexibilização de contratos retém empregos, mas amplia perda de massa salarial na RMC


Estudo do Observatório PUC-Campinas aponta ainda incerteza na recuperação do trabalho formal na Região Metropolitana de Campinas enquanto houver jornada flexibilizada. Carteira de trabalho
Heloise Hamada/G1
A flexibilização de contratos de trabalho, seja com a redução parcial ou suspensão total da jornada, autorizada pela Lei 14.020, ajudou a reter empregos, mas também afetou a massa salarial e torna incerto o cenário de recuperação do emprego formal na Região Metropolitana de Campinas (RMC). A avaliação é de um estudo do Observatório PUC-Campinas.
De acordo com os dados levantados por economistas, a flexibilização atinge 433,8 mil contratos de trabalho na RMC, o que representa 48% do total do trabalho formal nas 20 cidades que compõem o bloco.
ENTENDA: Lei autoriza redução de jornada e salário por até 6 meses
Por conta do perfil dos trabalhadores, a estimativa, apesar das medidas de recomposição de renda, é de uma redução de 15% na massa salarial – o equivalente a R$ 422 milhões, só em agosto.
Flexibilização na RMC
21% dos trabalhadores tiveram 25% de redução da jornada;
20% dos trabalhadores tiveram 50% de redução da jornada;
17% dos trabalhadores tiveram 70% de redução da jornada;
42% dos trabalhadores tiveram os contratos suspensos.
Responsável pelo estudo, a professora Eliane Rosandiski pontua que as medidas afetaram negativamente a remuneração empregados de atividades industriais, trabalhadores adultos e homens – por conta dos maiores salários. É que quem ganha até um salário mínimo, ou seja, até R$ 1.045, o governo complementa o valor integral; nos maiores salários, as medidas têm mais impacto.
“Mulheres e jovens não apresentaram elevadas perdas nos acordos de flexibilização em função de seu padrão de remuneração mais baixo, muitas vezes associações à inserção nos setores de serviços e comércios”, destaca.
Além disso, mulheres e jovens foram os mais afetados com os ajustes de mercado e menor participação no mercado de trabalho com a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.
Eliane Rosandiski, economista da PUC-Campinas
Fernando Evans/G1
Redução da massa salarial
O estudo indica ainda que a continuidade dos acordos de flexibilização, aliada a redução pela metade do valor de parcelas pagas no Auxílio Emergencial do governo federal irão impactar ainda mais na massa salarial da RMC.
O cenário de incertezas para a retomada do emprego formal, segundo Eliane, tem algumas variáveis importantes.
O primeiro, que uma hipótese de recuperação para algumas vagas, especialmente as mais qualificadas, só será concretizada depois que todos os trabalhadores flexibilizados retomem suas jornadas de 100%.
E segundo, que por conta da redução na demanda durante a pandemia, muitas empresas fecharam com a crise, e houve um encolhimento do mercado de trabalho.
Auxílio emergencial
O estudo do Observatório PUC-Campinas mostra também que nas 20 cidades da RMC houve, em quatro meses, a injeção de R$ 1,2 bilhão de recursos por meio do Auxílio Emergencial, que ajudou a sustentar uma demanda básica no período.
Na avaliação de Eliane, os programas de sustentação de trabalho e renda “tiveram efeito”, mas há um “risco de perdê-los no fim do ano caso o governo federal retome sua agenda liberal.”
Formas erradas e corretas de usar máscara de proteção contra o coronavírus
Arte/G1
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