Filas, reclamações e falta de médicos peritos marcam reabertura das agências do INSS

A reabertura das agências do INSS nesta segunda-feira (14) foi um pesadelo para milhares de brasileiros em todo o país. Em São Paulo, as agências não abriram por causa de uma decisão da Justiça. Filas, reclamações e falta de médicos peritos marcam reabertura das agências do INSS
Nesta segunda-feira (14) o que deveria ter sido a reabertura das agências do INSS depois de meses, foi um pesadelo para milhares de brasileiros em todo o país. Quem procurou atendimento, mesmo já agendado, enfrentou fila e a falta de médicos peritos. Em São Paulo, as agências nem abriram por causa de uma decisão da Justiça.
Em várias agências pelo país já havia fila logo cedo, no horário previsto para recomeçar o atendimento presencial, apesar da exigência de agendamento. E de nada valeu marcar hora para os brasileiros que apareceram para a perícia médica.
“Vou ter que voltar porque não tem perícia hoje”, lamentou um homem.
A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais afirmou que as condições de segurança sanitária ainda não estavam adequadas para os profissionais e também para os segurados.
A maioria dos agendamentos marcados para esta segunda em Belo Horizonte era para perícia médica. Como os peritos não apareceram, as agências que abriram ficaram assim: a porta aberta e a agência vazia eram o reflexo da decepção para muita gente.
Tatiane está afastada do trabalho há um mês, sem salário, e dependendo da perícia para receber o benefício. “Eu já cheguei aqui aflita e já saí mais aflita ainda”, conta.
No Rio, uma agência abriu com uma hora de atraso e frustrou quem procurou atendimento.
“Agendei pelo telefone, tudo certinho. Para que eu trabalhei desde os 14 anos? Eu não tenho mais condição de trabalhar. É uma humilhação”, diz a cozinheira Nilza Oliveira.
Em Sergipe, o serviço mais agendado também foi o da perícia. Teve mais fila e bate-boca na frente da agência.
No Recife, uma agência suspendeu os serviços porque os aparelhos de ar-condicionado foram roubados.
“Não me atendeu. Disseram que não tem ar-condicionado. Foi tudo roubado”, disse a dona de casa Rosângela Lopes.
No estado de São Paulo, a Justiça atendeu a um pedido do Sindicato dos Servidores, que alegou que eles não têm segurança contra a Covid. E impediu o funcionamento. O esforço do seu Félix não adiantou nada.
“Passando mal, pegando metrô, pegando trem, nem podendo andar. Era para estar em casa me recuperando, tomando meus medicamentos. E eles fizeram isso comigo”, afirma Félix Cabral de Sousa, montador de bicicleta.
Em Curitiba, os servidores estão em greve. Mas teve agendamento e a fila se formou ainda de madrugada.
“Vou remarcar e de novo, de novo. Quando vai voltar isso? Uma explicação para o brasileiro, para o cidadão”, diz um homem.
Rosângela Aparecida estava agendada. Ela tenta, há mais de um ano, benefício para o filho com deficiência. Sem conseguir o atendimento, ela resolveu ligar da fila para o 135 do INSS.
“Que tenho que ligar em outro momento para reagendar perícia de hoje, só que a culpa não foi minha, não fui eu que perdi um dia da perícia, são eles que se recusaram a me atender. Quem é que vai me sustentar e quem é que vai dar um pão pro meu filho?”, conta a atendente de supermercado.
Mais fila em Porto Alegre. E debaixo de chuva. Imagina a situação para quem ainda é do grupo de risco. Andreia está grávida, tem diabetes e pressão alta.
“Insegurança, falta de respeito, a gente está aqui e não é brincando, não é porque a gente quer. Eu sou gestante, estou bem, mas me encaminharam por causa do grupo de risco e agora eu venho aqui e vou receber quando?”, disse.
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