Festival apresenta produção literária de autores negros de São Paulo

A partir da próxima segunda-feira (13) começa a primeira edição do Festival Literário de Literatura Negra da Zona Norte de São Paulo – Fellin. A idealizadora do projeto Ketty Valencio diz que a mostra busca “marcar território” nessa parte da capital paulista que, apesar de ter uma das maiores concentrações de pessoas negras, não tinha um festival cultural de peso, como os que acontecem na zonas sul e leste da cidade.

“É uma região onde moram bastante pessoa negras, tem a ver com essa questão da ancestralidade, dos quilombos”, explica Ketty sobre o histórico da região, onde existiram várias comunidades de negros que fugiram da escravidão. “Concentração de escolas de samba, que tem a ver como as pessoas que começaram a se organizar antes de mim e você. Tem vários saraus, tem jongos [dança afrobrasileira], festa de São Benedito [santo de origem africana], que tem a ver com essa relação com os quilombos”, contextualiza, ao exemplificar como esse passado foi determinante para a vida cultural dessa parte da cidade.

História e Afrofuturismo

A organizadora tentou trazer essa diversidade de manifestações culturais para o festival. A abertura vai tratar da publicação dos Cadernos Negros, antologias de poesia afrobrasileira que são publicadas periodicamente desde 1978 pelo grupo Quilombhoje. Na terça-feira, estará no palco virtual a artista multilinguagem Aryani Marciano, que fará uma contação de histórias.

Ketty destaca que a pandemia do novo coronavírus trouxe o desafio para os artistas de se apresentarem sem a proximidade direta com os espectadores. “Está sendo experimental, até para os convidados. Porque a gente quer o contato com o público, com o olhar, saber o que eles estão pensando”, diz.

O encerramento, na sexta-feira (17), será com uma mesa que trata de afrofuturismo. Entre os convidados, está a escritora carioca Lu Ain-Zaila. “Uma das principais referências do afrofuturismo no Brasil. Ela tem uma linha de narrativa que mistura o ancestral com a distopia”, comenta a organizadora sobre o gênero literário que traz elementos da ficção científica e da história e cultura afrodiaspórica. A autora será acompanhada no debate pelo rapper e escritor Israel Neto.

Para Ketty, esse tipo de conversa é fundamental para mostrar que os autores negros não devem ficar confinados nos temas ligados à escravidão ou diretamente ao racismo. “A literatura negra é plural. A gente pode escrever sobre tudo. A gente está olhando para o futuro. Afrofuturismo é olhar para o futuro, literalmente”, enfatiza.

O Fellin pode ser acompanhado pelo canal da mostra no Youtube.

A programação completa está na página do festival no Instagram.

O @fellinfestival será no Youtube [link está na bio] Data: 17 de julho de 2020 19h30 – Mesa 05: “Afrofuturismo” Com Israel Neto Réu & Lu Ain-Zaila Moderação: Anne Quiangala 21h – Apresentação de encerramento do festival com a Poeta Valentine Mini-bios: Lu Ain-Zaila Lu é Luciene de uma das periferias do Brasil. É pedagoga (UERJ). Escritora afrofuturista autopublicada, lançou a Duologia Brasil 2408, composta por (In)Verdades e(R)Evolução (2016-2017), Sankofia (2018) e Ìségún (2019, Col. Universo Insólito, Monomito Editorial). Escreve afrofuturos entre periferias metaforizadas ou não, mixando ancestralidades, cultura e história negra e sua gente negra também. Além de artigos, ensaios e pesquisas relacionadas. Israel Neto Escritor e músico, publicou o livro “O Amor Banto em Terras Brasileiras” (2011) e sua segunda edição em 2018, Os Planos Secretos do Regime” em 2019, uma trama distópica e futurista ambientada em um Brasil em época de ditadura militar. Prepara para o próximo semestre uma Space Ópera afrofuturista. Integrante da Kitembo Edições Literárias do futuro, editora negra focada em literatura fantástica e afrofuturista. Anne Caroline Quiangala É idealizadora do Preta, Nerd & Burning Hell – um blog sobre #nerdiandade Preta e Feminista e uma das poucas fãs da série Birds of Prey, que só tem itens da DC, mas é marvete. Mestra em literatura pela UnB, estuda quadrinhos desde a graduação ciente de que eles são uma forma maravilhosa de arte, mas não literatura. Poeta Valentine Valentine é escritora, poeta, atriz, cantora, e slammer. Se tornou destaque na cena do slam carioca em (2019). Foi a primeira mulher trans slammer do Rio de Janeiro e foi também a primeira mulher trans a representar o Rio de Janeiro em um Slam Nacional, que foi no Flup Slam Nacional (2019), onde a artista foi vice-campeã da competição, no mesmo ano em que iniciou na cultura do slam. Também participou da Batalha do Slam no Rock In Rio (2019), que ocorreu no palco do Espaço Favela. Arte cartaz: @wooow.designx #festival #festivalliteraturanegra #literatura #literaturanegra #autorasnegras #leiaautoresnegrxs #festivalliterario #afrofuturismo #slam #pretanerd

Uma publicação compartilhada por Festival de Literatura Negra (@fellinfestival) em 9 de Jul, 2020 às 8:43 PDT

Com Agências

Gostou deste blog? Por favor, compartilhe :)

https://jornaltijucas.com.br/feed/
Seguir por E-mail
YOUTUBE
Leitores On Line