Feriadão deve aumentar movimento em shoppings e bares, mas setores dizem que estão preparados


São Paulo

Num cenário em que a adesão a atividades de lazer, apesar da retomada após a fase rígida da quarentena, ainda não alcançou o patamar desejado pelos representantes dos setores, um fim de semana prolongado se apresenta como uma promessa de ampliação do movimento.

Bares e shoppings da capital esperam que, com três dias de folga, o paulistano se encoraje a retomar hábitos pré-quarentena. Quanto às preocupações sanitárias contra a Covid-19, eles dizem que estão preparados.

Para Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), contudo, a população não deve baixar a guarda mesmo com a melhora de indicadores de internação e de óbitos.

“Tem uma menor quantidade de pacientes internados que há um mês, mas sabemos que o vírus continua circulando, então tranquilidade ainda não temos”. Na quarta-feira (2), o Brasil ultrapassou a marca de 4 milhões de casos e 123 mil mortes pela doença.

Nos bares, a expectativa para este fim de semana prolongado é de que haja mais movimento que o visto atualmente, segundo Percival Maricato, presidente da seção paulista da Abrasel, a associação de bares e restaurantes, uma novidade em comparação a outros anos. Historicamente, feriados em São Paulo não causam esse efeito.

“Normalmente a população vai muito para a praia e para cidades turísticas, mas muita gente teme o que está acontecendo no litoral, então a gente espera que seja melhor”, afirma, mas sem estimar o aumento da demanda.

Nos shoppings, a estimativa é de que haja crescimento de cerca de 20% no movimento atual. Parte dessa procura deve ser influenciada pela Semana do Brasil, campanha que promove descontos nos moldes da Black Friday.

De acordo com Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, a associação dos lojistas de shopping, as pessoas têm confiado nos centros comerciais por seguirem protocolos como restrição de capacidade a 40% e aferição de temperatura na entrada.

“O fluxo vai melhorando também porque as pessoas estão perdendo o medo, estão saindo mais”, afirma Sahyoun. Atualmente, os estabelecimentos têm conseguido alcançar até 60% do faturamento do período pré-quarentena.

Ainda assim, afirma que não há risco de aglomeração porque as pessoas têm se mostrado “mais focadas” na compra: o tempo de permanência médio atual é de 25 minutos, um terço de antes.

Na visão dos bares, há dois empecilhos para que a procura chegue ao patamar esperado: as regras impostas pelo governo, consideradas muito restritivas, e o temor da clientela em se expor ao coronavírus. Apesar disso, diz Maricato, a população pode confiar nas medidas de segurança que os estabelecimentos já seguem.

Um ponto a que as equipes dos bares terão de ficar atentas, segundo ele, é o comportamento dos clientes. Para isso, diz, a associação tem feito um trabalho firme com proprietários e funcionários visando à conscientização das pessoas.

“Insistimos que a população tem que colaborar, porque não podemos voltar atrás e permitir que aglomerações voltem a fechar bares, porque eles são a nossa praia. É preciso ter paciência”.

Para o caso de bares e shoppings, ressalta a infectologista, há ainda um agravante: além da possibilidade de aglomeração, costumam ser ambientes fechados e não ventilados. É importante permanecer o mínimo de tempo possível nesse tipo de lugar, tendo cuidado extra com a higienização das mãos e usando máscara.

O ideal, indica Stucchi, ainda é que as saídas sejam evitadas sempre que possível. “É importante lembrar que, dois dias antes de ter sintomas, a pessoa infectada já é um grande transmissor“. A situação na Europa mostra que aglomerações trazem um aumento de casos, ela afirma. “Ainda é um momento de resguardo”.


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