Fenômeno raro, nuvem rolo em SP pode ter sido causada pela fumaça das queimadas na Amazônia e Pantanal, dizem especialistas


Fenômeno foi observado por moradores de Peruíbe, no litoral de São Paulo. Fumaça das queimadas na Amazônia e Pantanal se estende por mais 3 mil quilômetros. Nuvem rolo é vista por moradores de Peruíbe, SP
Márcio Ribeiro/Arquivo Pessoal
A formação de uma nuvem rolo que foi observada em Peruíbe, no litoral de São Paulo, pode estar ligada às queimadas que atingem o Pantanal e a Amazônia. O fenômeno, considerado raro, pode ter sido intensificado pela fumaça que já se estende por mais de 3 mil quilômetros do território do país, em direção às regiões Sudeste e Sul, segundo especialistas.
De acordo com o Climatempo, a nuvem rolo, muito semelhante à nuvem “glória da manhã”, é considerada uma nuvem rara. Ela pode atingir 1.000 km de comprimento e de 1 a 2 km de largura. A nuvem rolo pode se deslocar com velocidade de até 60 km/h, o que provoca rajadas de ventos.
Fenômeno raro, nuvem rolo foi observada em Peruíbe, no litoral paulista
Márcio Ribeiro/Arquivo Pessoal
Ao G1, o biólogo Enzio Meixedo Chiarelli afirma que, com as queimadas, partículas microscópicas de fuligem se misturam com a água da atmosfera e são transportadas até o litoral paulista pela força do vento. “Com o aumento da temperatura naquelas regiões, as partículas de fuligem sobem à atmosfera e são trazidas pelas massas de ar”.
O especialista afirma que a nuvem rolo observada em Peruíbe nas últimas horas pode ter sido formada através do contato desse material com as massas de ar do oceano, o que provoca diferenças bruscas de temperatura. Além das temperaturas elevadas, o fenômeno também pode provocar ventos fortes na região, segundo Enzio.
“Temos notado dias de ventos fortes e temperaturas extremas, com temperaturas muito altas em meio ao inverno. Se não fosse essas queimadas e a ação do homem, dificilmente observaríamos um resultado como essas nuvens. A solução é acabar imediatamente com essas queimadas e praticar um monitoramento ambiental muito mais rigoroso”, afirma o biólogo.
Imagem de satélite divulgada pelo Inpe mostra o deslocamento da fumaça iniciando em 8 de setembro
Inpe/Programa Queimadas
De acordo com Bruno Miranda, meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), as partículas de fuligem das queimadas podem ajudar na criação das nuvens, que geralmente são formadas pelo encontro de uma massa de ar quente com uma frente fria.
“A formação das nuvens rolo é discutida na comunidade da meteorologia, e a teoria mais aceita é que elas são causadas por diferenças de temperatura e umidade, o que causa uma mudança brusca de ventos. Mas é possível, sim, que as partículas das queimadas tenham contribuído para esse processo”, finaliza Bruno.
Nuvem rolo se estendeu por trecho do litoral paulista e foi observada por moradores
Márcio Ribeiro/Arquivo Pessoal
Formação da nuvem
A nuvem rolo se forma em uma altitude de 100 a 200 metros acima da superfície e é considerada uma nuvem baixa. A nuvem rolo tem uma grande extensão horizontal, pequena amplitude vertical e a forma de um tubo. Em geral aparece destacada do restante de nebulosidade e pode vir em bandos de várias nuvens paralelas.
A nuvem rolo parece rolar lentamente em torno de um eixo horizontal e se forma pela combinação de ventos em altitudes diferentes e soprando em direções contrárias por uma grande área, que dão o formato de rolo. Se formam no choque de massas de ar com temperaturas e teor de umidade diferentes.
Seu movimento pode induzir ventos moderados a fortes, mas a nuvem rolo não produz rajadas e nem provoca chuva. Vai se desfazendo à medida que o contraste de umidade e de temperatura enfraquece.
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