Estamos todos no mesmo barco nesta crise, diz fundador da Centauro

Renata Moraes Vichi assumiu em março de 2020 o posto de presidente do Grupo CRM, dono das marcas Kopenhagen, Chocolates Brasil Cacau, Lindt Brasil e Kop Koffee, com mais de 855 lojas no Brasil. A executiva é filha do empresário Celso Moraes, que comprou a Kopenhagen em 1996. Formada em publicidade, marketing e administração, trabalha na companhia desde os 16 anos de idade. Em 2008, quando era diretora comercial e de marketing, liderou a criação da segunda marca do grupo, a Chocolates Brasil Cacau. 

Durante a pandemia, a companhia viveu um grande desafio para atingir as metas da Páscoa, a data mais importante para a empresa no ano. “45% da rentabilidade dos franqueados vem da Páscoa, e quando a pandemia começou estávamos a 25 dias da data comemorativa”, diz Vichi. Com muita agilidade e um comitê de crise preparado, o grupo conseguiu atingir a marca histórica de venda de 94% dos produtos sazonais. “É um momento de avanços e retrocessos, precisamos estar preparados para isso. A covid-19 trouxe mostrou que a última coisa que vai nos acompanhar é previsibilidade, nosso poder de reação tem que ser diversificado”, diz a executiva.

Já o mineiro Sebastião Bomfim Filho deixou, no começo dos anos 80, uma fábrica de balanças falidas em Belo Horizonte para fundar a loja de artigos esportivos Centauro. Em dezembro de 2015, ele deixou o posto de presidente do Grupo SBF e promoveu o Pedro Zemel, de 32 anos, ao cargo. Em 2019, o grupo abriu capital, levantando 772 milhões de reais. Em fevereiro deste ano, após perder a disputa pela compra da Netshoes com o Magazine Luiza, a Centauro anunciou um investimento de 900 milhões de reais para comprar a distribuição brasileira da fabricante de artigos esportivos Nike.

Apesar da crise atual, o empreendedor se diz um “eterno otimista, mas com juízo”. Ele acredita que o país vive um momento extremamente difícil, mas que segue no caminho certo em vários aspectos. “Nunca vi, nos meus 39 anos de experiência, juros de 2% e tantos agentes de crédito funcionando”, diz o fundador da Centauro. O que ele mantém em mente, e recomenda que os empresários também pensem, é que não é uma crise isolada de determinada empresa ou setor. 

Quando todo mundo está dentro do mesmo barco, a força de remada é muito maior para que todos saiam desse processo

Sebastião Bomfim Filho, fundador da Centauro

O terceiro empreendedor a falar foi José Carlos Semenzato, empresário que está acostumado com desafios. O empreendedor, jurado do programa de televisão Shark Tank, começou a trabalhar aos 13 anos vendendo coxinha no interior de São Paulo e hoje é dono da SMZTO Holding de Franquias, que atua na gestão e na aceleração de negócios no franchising. Dentro do portfólio do grupo estão redes de depilação, educação e alimentação, como a Espaçolaser, o Instituto Embelleze e a Oakberry. Desde o começo da crise, Semenzato defende que as empresas tentem salvar os empregos para salvar seus negócios no longo prazo. 

Juliano Ohta, presidente da Telhanorte Saint-Gobain, Daniel Cherman, da Tishman Speyer e Eduardo Diogo, diretor do Sebrae, também participam do evento. 

O futuro do empreendedorismo

Em 2020, o Brasil deve atingir o maior patamar de empreendedores iniciais dos últimos 20 anos, com aproximadamente 25% da população adulta envolvida na abertura de um novo negócio ou com um negócio com até 3,5 anos de atividade. Mas quais as oportunidades que existem no Brasil hoje para empreendedores?

Sebastião Bomfim Filho afirma que a pandemia fez os países perceberem que o alto grau de dependência industrial da China de produto. Nos próximos meses, ele acredita que o Brasil tenha ótimas oportunidades para ampliar seu parque industrial. “A gente precisa de regulamentações mais simples e direcionadas para o nosso empreendedor. São 18 milhões de brasileiros que querem empreender. Essa turma quer que o ambiente seja mais favorável”, diz o empresário.

Semenzato acredita no poder da inovação e da criatividade nesse momento. Ele conta que duas das suas marcas de educação estavam engatinhando no processo de digitalização há dois anos. Com a pandemia, a transformação digital virou prioridade e as marcas tiveram ótimos resultados. “Chegaremos no fim de pandemia com melhores índices de frequência, participação e motivação. E taxa baixa de cancelamento”, diz o empresário. 

Outra marca do grupo, o restaurante L’Entrecôte de Paris, também deve terminar o ano com crescimento no número de operações. Tudo graças ao delivery. A empresa, que serve um único prato tradicional, demorou a entrar nas plataformas de entrega. Ao começar a operar no delivery, percebeu que poderia abrir operações voltadas exclusivamente para isso. “Até o final de 2020, vamos chegar a 100 unidades no Brasil. É possível sim, em meio a situação adversa, ver o copo meio cheio”, afirma Semenzato. 

Adaptações nos negócios

No grupo CRM, Renata Moraes Vichi diz ter realizado uma operação rápida de adaptação para garantir que todos os franqueados se sentissem seguros durante os meses de crise. “Me pronunciei na semana do dia 20 de março para toda a rede e anunciei os pacotes anti-crise para toda a rede”, afirma a executiva. Com pacotes de redução de royalties e taxas até setembro, o grupo afirma que conseguiu despertar nos franqueados um compromisso com o negócio e com o consumidor final. 

Na Centauro, o cliente também foi priorizado na crise. “O novo consumidor precisa de assistência, ser visto e entendido”, diz Sebastião Bomfim. Para garantir que todos os clientes conseguissem um atendimento de qualidade nas compras digitais, a companhia contratou mais pessoas para as equipes de atendimento. Só nas últimas duas semanas, foram 300 novos funcionários. “As pessoas querem conversar, dar essa assistência é fundamental”, diz o fundador.

Com Agências

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