‘Estamos enterrando a memória, a história. São menos mãos que nos sustentam’, afirma Célia Xakriabá

Os grupos indígenas brasileiros estão pagando um preço muito alto durante a pandemia: eles correspondem a mais de 10% das vítimas fatais da doença. Este foi o principal tema da live com Célia Xakriabá, assessora parlamentar, professora e mestra em desenvolvimento sustentável pela UnB/MESPT, além de doutoranda em antropologia pela UFMG. O acontecimento também marcou a estreia da jornalista Heloísa Villela no canal de Eduardo Moreira, conduzindo a conversa.

“Não são somente corpos que estão sendo enterrados: é a memória, é a história, é uma mão a menos que nos sustenta”, afirma Célia.

“Aquelas pessoas, que não se sentem sensibilizadas pelas várias mortes indígenas e pelas mais de 100 mil mortes em todo o Brasil, também morreram. Certamente, muitas delas não adoeceram com a Covid-19, mas estão adoecidas com outras coisas: principalmente com a morte da sua humanidade”, declara a indígena.

Mas, apesar de reconhecer o momento de fragilidade atual, Célia transmite, em suas palavras, a sabedoria antiga das suas origens. “Mesmo estando num momento muito difícil, entendemos que gerar, nascer e dar sustância ao útero do encantamento pela vida é um caminho para reconstruir esse afeto de humanidade.”

Outro ponto alto da live foi a defesa do amor como cura além da vacina. “As pessoas pensam que são somente as vacinas testadas em laboratório que vão curar, mas o amor também cura. Porque não é agir apenas sobre a imunidade corporal, mas é sobre reativar o nosso senso de humanidade. A vacina vai dar imunidade ao corpo, mas não vai imunidade à consciência contra todos os tipos de violência [principalmente contra as mulheres e os indígenas]”, pontua Célia.

Célia Xakriabá

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