Alane faz parte dos 60.009 capixabas que foram contaminados pela covid-19 no Estado. E também representa uma das 1.929 das pessoas atravessadas pela doença. A cada dia que passa, o vírus avança pelo Espírito Santo. E os dados estaduais, no comparativo com os vizinhos do Sudeste, estão acima da média regional.

Segundo o Ministério da Saúde, a região tem 604.912 casos confirmados de covid-19, o que representa uma média de 685 a cada 100 mil habitantes. No Espírito Santo, entretanto, este número mais que dobra: 1.493 pacientes com covid-19 a cada 100 mil capixabas.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) explica que este número decorre da quantidade de testes rápidos e RT-PCR realizados no Estado: 129.306 (3.217 testes a cada 100 mil capixabas). “Também foi feita uma força tarefa para notificar os casos testados em laboratórios particulares”, reforçou a infectologista Rúbia Miossi.

O Estadão procurou as Secretarias de Saúde dos outros estados que fazem parte da região Sudeste. Em São Paulo foi realizado 1 milhão de testes (2.179 a cada 100 mil paulistas). Em Minas Gerais, foram aplicados 360.038 testes (1.700 a cada 100 mineiros). Já no Rio de Janeiro, a pasta somou 58 mil testes RT-PCR feitos (335 a cada 100 mil cariocas). A Secretaria, no entanto, não informou a quantidade de testes rápidos realizados no Estado.

Analisando o número de vítimas por covid-19, percebe-se que o Espírito Santo também está acima da média regional. São 48 mortes a cada 100 mil habitantes, ante 36 em todo o Sudeste. E o número também mostra como a pandemia está em diferentes estágios dentro do território. São 67 óbitos a cada 100 mil habitantes na Região Metropolitana e 29 a cada 100 mil moradores do Interior.

“O Espírito Santo tem investigado todos os casos de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Então, nosso sistema de vigilância de óbitos é melhor. Outra hipótese é de que o Estado tem mais de 26% das pessoas vivendo na periferia, dividindo banheiro e em instalações irregulares. Do ponto de vista da disseminação da covid-19, é algo que pode ser uma das explicações [para o número]”, explicou a pós-doutora em Epidemiologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Ethel Maciel.

Apesar destes números, a rede de saúde capixaba tem conseguido absorver a demanda. Dos 702 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) disponíveis exclusivamente para a covid-19 em todo o Estado, 566 estão ocupados (80,63%). Diante do cenário, o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, disse em pronunciamento pela internet que a Região Metropolitana estaria entrando num platô, que é quando os casos se estabilizam.

Para Ethel, ainda é cedo para fazer esta afirmação. “O último inquérito sorológico mostrou que apenas 10% da população foi contaminada com a covid-19. Ainda tem 90%, cerca de 3,6 milhões de capixabas, que podem pegar a doença. A tendência é de que continuemos com muitos casos”.

A pesquisadora ressalta que, diante do número de casos e óbitos acima do registrado em estados vizinhos, é preciso desestimular qualquer tipo de trânsito entre as regiões. “Neste momento é importante que as pessoas não se mobilizem entre os estados, pela possibilidade de fazer o vírus se espalhar. É importante que esta mobilização e o turismo seja desincentivado”.