Enquanto os ‘Guardiões’ ameaçavam pacientes e imprensa, problemas sérios da cidade pioravam desordenadamente

Enquanto funcionários da Prefeitura do Rio, pagos com dinheiro público, ficavam em frente a hospitais do município para impedir que pacientes e parentes reclamassem do atendimento com jornalistas, os problemas reais da cidade pareciam piorar cada vez mais aos olhos dos cariocas. Essa conta que não fecha evidencia que os chamados “Guardiões do Crivella”, como eles mesmos se chamavam no grupo de WhatsApp que criaram, poderiam atuar em outras frentes, resolvendo problemas já conhecidos da população, mas que parecem ignorados pelo poder público.

Na Rua Visconde de Niterói, na Mangueira, Zona Norte do Rio, pontos de lava a jato clandestinos operam livremente diariamente — e não é de hoje. Na última terça-feira, nenhum fiscal da Secretaria municipal de Ordem Pública foi visto na região, tampouco na Rua Leopoldo Bulhões, onde os lavadores de carro também atuam. No trecho entre a Linha Amarela e a estação Manguinhos do metrô, mais de 40 atendiam carros de passeio, táxis e até vans, alguns usando até mesmo máquinas elétricas de lavagem e oferecendo pagamento no cartão.

Na Avenida Marechal Rondon, próximo à estação São Francisco Xavier, outro problema visível e diário: restos de alimentos, lixo doméstico e entulho de obra se acumulam numa montanha de resíduos na calçada. A Comlurb diz que faz a remoção duas vezes por semana naquele ponto, sempre no período noturno por conta do intenso movimento de veículos durante o dia.

Na Avenida Amaro Cavalcanti, perto da estação do Engenho de Dentro, motoristas estacionam livremente em fila dupla, sem medo de multa.

Ambulantes ocupam a calçada em Madureira

Ambulantes ocupam a calçada em Madureira Foto: ANTONIO SCORZA / Agência O GloboEm Madureira, ambulantes atuam livremente e disputam espaço na calçada com os pedestres, que se espremem para andar pela Estrada do Portela. Os vendedores não mantêm um distanciamento mínimo, para se proteger do coronavírus, e muitos nem usam máscara ou oferecem álcool em gel para os clientes, descumprindo as “regras de ouro” da Prefeitura do Rio e passando ilesos à falta de fiscalização.

A Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) respondeu que as ações contra os pontos clandestinos de lava a jato exigem atuação conjunta de diversos órgãos, como Cedae e Comlurb, e, em áreas de risco, da PM. Por nota, a Seop afirmou que, no último mês, foram “foram identificadas e cortadas 27 ligações clandestinas de água e de energia elétrica” e explicou que na região da Mangueira a prefeitura está trabalhando num “projeto de revitalização e reordenamento urbanístico que irá realocar estas atividades atualmente clandestinas para uma área autorizada”.

Já a Secretaria municipal da Fazenda disse que, desde o início da pandemia, já “abordou cerca de 2.340 ambulantes na cidade”, apreendeu mais de 35 mil itens que eram vendidos irregularmente e fez 1,3 mil notificações a vendedores“ e 125 autuações: “Os ambulantes irregulares são orientados a desocupar o logradouro publico, já os que estão cadastrados no Programa Ambulante Legal, caso sejam constatadas irregularidades, são multados”.

Também procurada, a Guarda Municipal informou que “atua no patrulhamento e no controle e fiscalização do trânsito no bairro Engenho de Dentro por meio do Grupamento Especial de Trânsito da Zona Norte” e afirmou que as ações serão intensificadas na Avenida Amaro Cavalcanti.

Confira abaixo as respostas.

Secretaria municipal de Ordem Pública:

“As ações contra lava a jatos clandestinos exigem a atuação conjunta de diversos órgãos municipais e estaduais, como a Cedae, Light, Coordenadoria de Controle Urbano (da Secretaria Municipal de Fazenda), Comlurb, Guarda Municipal e coordenadoria de Reboques da Seop, além da Polícia Militar em áreas de risco, como a Rua Leopoldo Bulhões.

Somente no último mês, a Secretaria Municipal de Ordem Pública integrou diversas operações que combateram a atividade ilegal em pontos de Benfica, Guadalupe e Deodoro. Ao todo, foram identificadas e cortadas 27 ligações clandestinas de água e de energia elétrica. Em Benfica, também foi recolhida 1,6 tonelada de resíduos sólidos (como caixas d’água e outros recipientes, papelão, madeira e lonas), que obstruíam calçadas e parte de vias. Em uma das ações, nove ambulantes sem autorização foram orientados a desocupar o espaço público.

Sobre a região da Mangueira, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Habitação e Conservação (SMIHC), está trabalhando em uma solução efetiva: o projeto de revitalização e reordenamento urbanístico que irá realocar estas atividades atualmente clandestinas para uma área autorizada”.

Secretaria municipal da Fazenda:

“Desde o início da pandemia, a Subsecretaria de Licenciamento, Fiscalização e Controle Urbano, da Secretaria Municipal de Fazenda, abordou cerca de 2.340 ambulantes na cidade. Ao todo, 35.389 itens vendidos de forma irregular foram apreendidos durante as ações. Ainda foram realizadas mais de 1.300 notificações a ambulantes para adequação dos equipamentos ou desocupação dos logradouros públicos e emitidas 125 autuações.

Os ambulantes irregulares são orientados a desocupar o logradouro publico, já os que estão cadastrados no Programa Ambulante Legal, caso sejam constatadas irregularidades, são multados, podem ter a mercadoria apreendida e podem ainda perder a licença para comércio ambulante na cidade”.

Guarda Municipal:

“A Guarda Municipal informa que atua no patrulhamento e no controle e fiscalização do trânsito no bairro Engenho de Dentro por meio do Grupamento Especial de Trânsito da Zona Norte. As ações de fiscalização serão intenficadas na Avenida Amaro Cavalcanti a partir desta quarta-feira, dia 9. Vale lembrar que denúncias de estacionamento irregular podem ser registradas na Central 1746, que funciona 24 horas e permite agilidade ao acionar a equipe mais próxima ao local”.

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