Em quarentena sem fim, Argentina enfrenta impactos na saúde, no governo e na política

Enquanto alguns países da Europa e da Ásia se preparam para uma segunda onda da Covid-19, a Argentina ainda não saiu da primeira.  Atividades como comércio, bares ou ir a praia estão proibidas na maior parte do país desde 20 de março, quando deu início a quarentena ininterrupta mais longa do mundo. A Bárbara Derame, de 22 anos, mora no país há quase um ano e praticamente não saiu de casa durante todo esse período. Aluna do curso de medicina da Universidade Nacional de Rosário, a brasileira conta que viu os casos da doença dispararem na cidade, quando o governo flexibilizou as medidas de restrição.

Por causa do aumento no número de infecções, o governo voltou a prorrogar o isolamento social, o que desagradou os argentinos. Nesta segunda-feira, 14, centenas de manifestantes voltaram às ruas das principais cidades do país para protestar contra o presidente Alberto Fernandez, a crise que assola o país e o aumento do desemprego. Críticos do governo afirmam que as duras medidas de quarentena vão intensificar os problemas já existentes no país. O cientista político, Eduardo Grin, destaca que as expectativas econômicas são pessimistas.

Ao mesmo tempo, para o médico infectologista, Renato Kfouri, restrições muito severas podem ocasionar outros problemas de saúde. Apesar dos esforços do governo de Alberto Fernandez, a Argentina continua registrando uma piora nos índices de transmissão da doença. Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, o país tem no momento mais de 500 mil infectados e 11.412 mortos pela Covid-19.

*Com informações da repórter Letícia Santini

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