Trinta e seis entidades e personalidades francesas pedem nesta quarta-feira (16) à União Europeia que abandone o acordo assinado pelo bloco com o Mercosul, no ano passado. Em uma petição publicada no site da rádio France Info, os signatários afirmam que a aplicação do acordo teria impactos nas florestas, no clima e em questões de direitos humanos.

O texto evoca os 33 ativistas assassinados em 2019 na Amazônia e condena o que seria conceder um cheque em branco às multinacionais, para intensificar o comércio entre as duas regiões, sem considerar os graves impactos ambientais e sociais do acordo. Concluído no verão depois de 20 anos de discussões, o tratado fechado com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai hoje aguarda ratificação dos países integrantes de ambos os blocos.

Eles também citam a publicação, nos próximos dias, do relatório da comissão de especialistas do governo francês para avaliar os impactos sanitários e ambientais do texto que pesam sobre a biodiversidade, o clima e os direitos humanos.

Os autores denunciam “a explosão das cotas de carne, soja e etanol importados”, além da forte pressão sobre os territórios autóctones, a eliminação de tarifas alfandegárias sobre agrotóxicos e a ausência de mecanismos que possibilitem às populações atingidas pela atividade de multinacionais de acionar as empresas na Justiça, pelos danos ambientais e sociais causados. A petição foi veiculada em uma das maiores emissoras francesas de rádio, que soma mais de 4,5 milhões de ouvintes diários.

Alternativa política

Os signatários também defendem uma “alternativa à política comercial europeia”, se dirigindo diretamente ao presidente francês, Emmanuel Macron, e pedindo que ele se oponha ao acordo.

Segundo as organizações, é preciso reforçar a soberania alimentar e os circuitos curtos de produção. Insistem, ainda, na adoção de normas sociais e ambientais universais ambiciosas, “com normas europeias e internacionais que possam assegurar o respeito aos direitos humanos e ambientais pelas multinacionais”.

A petição é assinada por organizações civis como Greenpeace France, Liga dos Direitos Humanos, Planeta Amazônia e Amigos da Terra, os líderes das centrais sindicais CGT e Solidários e a Fundação Nicolas Hulot, criada pelo ex-ministro do Meio Ambiente francês.