Em paralelo à pandemia, violência policial segue matando na periferia; relembre casos desde que o coronavírus surgiu

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o número de pessoas mortas por policiais militares e civis no estado de São Paulo cresceu 31% entre janeiro e abril deste ano, em meio à pandemia, na comparação com o mesmo período de 2019. No ano passado, foram registradas 291 mortes provocadas por agentes de segurança. Este ano, 381 no mesmo período.

Desde o início da quarentena, há uma série de registros de truculências por todo país (Foto: Agência Brasil)

Desde o início da quarentena, há uma série de registros de truculências por todo país. Em São Paulo, o mais recente divulgado, da mulher negra de 51 anos, que não quer revelar sua identidade com medo de sofrer represálias, ocorreu em 30 de maio deste ano.

Em um vídeo gravado por moradores locais, exibido no Fantástico, no domingo (12), é possível ver um agente da PM pisando no pescoço da comerciante, que estava com o rosto contra o chão, e a arrastando pelo asfalto, mesmo com ela algemada. A mulher teve ferimentos no rosto, nas costas e quebrou a perna. Ela foi agredida ao tentar defender um amigo, que fora dominado por um agente e estava imobilizado no chão.

No dia 14 de junho, um garoto negro de 15 anos foi sequestrado por policiais, na Vila Clara, periferia da zona sul de São Paulo, e foi encontrado morto horas depois com dois tiros na cabeça, em Diadema, cidade vizinha na região metropolitana. Guilherme Silva Guedes estava na frente da casa da avó quando foi rendido por dois homens. A família só conseguiu reconhecer o corpo como sendo de Guilherme na tarde do dia seguinte. Houve manifestações em protesto a morte do jovem.

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Na época, o sargento Adriano Fernandes de Campos foi preso sob suspeita de ser um dos PMs envolvidos no assassinato.

Em junho deste ano, um jovem negro de 19 anos foi estrangulado duas vezes por um policial militar em Carapicuíba, Região Metropolitana de São Paulo. Ele desmaiou em ambas as vezes e foi colocado desacordado numa viatura da PM. Moradores filmaram a abordagem e divulgaram o vídeo.

À época, o rapaz relatou que foi abordado pelos oficiais na moto que pilotava, sem habilitação, com um amigo, em baixa velocidade. Assustado, ele teria se desequilibrado e atingido a moto de um dos agentes. Os policiais envolvidos afirmam que ele tentou fugir de abordagem de rotina. As imagens gravadas, no entanto, não mostravam o momento da abordagem. Mostravam apenas o jovem desarmado sendo agredido pelos oficiais durante a ação.

Em uma das imagens, é possível ver o jovem levando um mata-leão de um dos policiais, até que desmaia e é colocado inconsciente no chão da rua. O vídeo também mostra um segundo momento em que um policial asfixia o garoto pressionando um joelho sob seu pescoço. O jovem se debate até desmaiar novamente. Os policiais foram afastados.

Operações no Rio seguem em meio à pandemia

O estado do Rio de Janeiro parece seguir a mesma lógica. Na contramão de crimes como homicídios e roubos, as mortes por policiais no estado sofreram um forte aumento em abril. Apenas em abril, foram 177 óbitos em decorrência de intervenções de agentes públicos, 43% a mais do que no mesmo mês no ano passado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

No Rio de Janeiro, em maio deste ano, o menino negro João Pedro Matos, de 14, foi baleado e morto dentro de casa após uma invasão da Polícia Federal e da Polícia Civil na favela do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. No mesmo dia, familiares relataram que Iago César Gonzaga, de 21 anos, foi torturado e morto durante outra operação da Polícia Militar em Acari.

Dias depois, foi a vez de outro jovem negro morrer em decorrência à violência policial. Rodrigo Cerqueira, de 19 anos, também morto durante uma ação. Ele participava de uma distribuição de cestas básicas organizadas por moradores da favela do Morro da Providência. Um tiroteio interrompeu a distribuição de cestas básicas no Morro da Providência.

Na época, as polícias fluminenses afirmaram que suas operações mensais se mantiveram no mesmo patamar no primeiro quadrimestre deste ano. Disseram ainda que as atividades de enfrentamento ao crime organizado não sofreram alterações com a pandemia.​

Com Agências