Em greve, funcionários dos Correios protestam contra redução de benefícios em São Vicente, SP


Trabalhadores estão em greve desde 17 de agosto. Eles se dizem contra privatização e reivindicam a garantia de direitos trabalhistas. Trabalhadores fazem manifestação em favor à greve contra privatização dos Correios em São Vicente
Divulgação/Sintect-Santos
Funcionários dos Correios e representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos na Baixada Santista, litoral Sul e Vale do Ribeira (Sintect-Santos) realizaram uma manifestação em São Vicente, litoral de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (17). Eles estão em greve porque são contra a privatização da estatal e buscam pela garantia dos direitos trabalhistas.
O ato teve início, por volta das 9h, na Praça Coronel José Lopes, em frente a uma unidade dos Correios. De acordo com o presidente do Sintect-Santos, José Antônio da Conceição, o ato marca um mês da paralisação nacional e cerca de 50% dos funcionários aderiram a paralisação na região.
A categoria reivindica a manutenção do atual Acordo Coletivo, que estaria vigente até 2021, e que foi revogado pela empresa. “De 79 cláusulas e direitos que conquistamos ao longo de 30 anos, a empresa cortou 70. Isso nos tira benefícios como 30% do adicional de risco, vale-alimentação, licença-maternidade de 180 dias, auxílio-creche e indenização de morte, entre outros”.
Sem os benefícios, os funcionários dos Correios perdem cerca de 46% do poder aquisitivo, conforme explica José Antônio. “A postura da empresa é a retirada de todos esses direitos, que davam ao trabalhador uma situação um pouco mais estável. Se tirar, não vale a pena trabalhar”.
Manifestantes realizam ato em praça de São Vicente, SP
Divulgação/Sintect-Santos
Na última sexta-feira (11), uma audiência de conciliação entre os Correios e os trabalhadores terminou sem acordo. O dissídio coletivo da greve será julgado na próxima segunda-feira (21) no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Na ocasião, os ministros podem decidir o valor do reajuste salarial e outras cláusulas que passarão a vigorar no novo acordo coletivo de trabalho.
“Já sabemos que não tem acordo com a empresa, que manteve a mesma postura de retirada. Para nós, resta aguardar o julgamento e esperar que isso vai favorecer a nossa situação”, finaliza.
Correios
Em nota, os Correios disseram que a adesão à greve foi baixa. A maior parte compreendeu a gravidade da situação: no país, menos de 18% dos empregados da área operacional. Mas, segundo o sistema de monitoramento dos Correios, os números apresentam variação diária. Mutirões realizados inclusive nos fins de semana garantem a entrega de cartas e encomendas em todo o país. Os canais do Correios continuam à disposição para sanar quaisquer dúvidas ou reclamações.
Os Correios ainda disseram que, desde o mês de julho, vêm tentando negociar os termos do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021, em um esforço para fortalecer as finanças da empresa e preservar sua sustentabilidade.
Enquanto os sindicatos insistem em manter uma proposta imprudente, tendo em vista a crise atual, a empresa entende que não há margem para medidas incompatíveis com a situação econômica atual e vislumbra uma economia da ordem de R$ 800 milhões ao ano, apenas com o racionamento dos gastos com pessoal: o suficiente para recuperar, em três anos, o prejuízo de R$ 2,4 bilhões acumulados em gestões passadas.
A empresa disse que aguarda o julgamento do dissídio marcado para o próximo dia 21 e, com ele, o retorno dos trabalhadores, cientes da sua responsabilidade para com a sociedade e da sua importância para a prestação de serviços essenciais à população, em um momento tão delicado para o país e o mundo.

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