Einstein afirma que afastou médica que comparou medo da Covid-19 com o Holocausto

A médica Nise Yamaguchi foi afastada da sua posição no corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein na sexta-feira (10) após dar declarações em que comparava o medo da pandemia de Covid-19 ao sentimento das vítimas do holocausto.

Em entrevista à TV Brasil no dia 5 de julho, a médica, especializada em imunologia e oncologia, afirmou: “O medo é prejudicial para tudo (…). Te paralisa, te deixa massa de manobra. Você acha que alguns poucos militares nazistas conseguiriam controlar aquela massa de rebanho de judeus famintos se não os submetessem diariamente a humilhações, humilhações, humilhações, tirando deles todas as iniciativas? Quando você tem medo fica submisso a situações terríveis”.

O presidente do Einstein, Sidney Klajner, confirmou o afastamento dela na tarde de sábado (11).

“A doutora Nise Yamaguchi teve uma suspensão provisória enquanto o comitê de ética institucional do hospital apurará o que norteou os comentários relativos à comparação da pandemia ao momento do Holocausto, um momento para nós extremamente importante em que 6 milhões de judeus foram mortos. Vários sobreviventes, inclusive, contribuíram para a própria fundação do hospital Albert Einstein”, disse em entrevista ao SBT.

Klajner afirmou ainda que “nunca na história do Hospital Israelita Albert Einstein, que completou neste mês de junho 60 anos, houve uma situação igual a esta”.

***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, 22.10.2015 - Nise Yamaguchi, diretora da associação das mulheres medicas. (Foto: Bruno Poletti/Folhapress)

Também em entrevista ao SBT, a imunologista confirmou seu afastamento, mas disse que ele ocorreu por causa de sua defesa da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. O Einstein desaconselhou o uso do medicamento, cuja eficácia contra o coronavírus não foi provada nos estudos feitos até agora. Yamaguchi também afirmou que sua fala foi interpretada de forma errônea.

“Recebi uma ligação hoje [sexta-feira] do diretor clínico do hospital me informando que a partir desse momento eu não poderia mais exercer minhas funções no hospital, não poderia prescrever ou atender meus pacientes que já estão internados”, disse ela na sexta-feira (10) na mesma entrevista.

Por meio de nota divulgada pelo seu advogado no último domingo (12), a médica pediu desculpas e afirmou que “nunca houve qualquer manifestação separatista, racista e/ou xenofóbica de qualquer sorte (…), pois é solidária à dor dessa ilustre comunidade como sendo a maior das atrocidades de nossa história ocidental. Por fim, manifesta o pedido de desculpas por expressões outras e interpretações errôneas sobre assuntos sensíveis ao grande sofrimento judaico que envolveram seu nome.”

Yamaguchi atua desde 2015 no hospital como oncologista e é uma das médicas que mais defendem publicamente o uso da cloroquina e hidroxicloroquina, inclusive para casos leves, e chegou a ser cotada para o cargo do Ministério da Saúde após a saída de Luiz Henrique Mandetta, em abril.

“Faço a defesa da hidroxicloroquina porque eu tenho certeza que ela cura pacientes nas fases iniciais. E eu, ao insistir que esse remédio pode curar pessoas, iria na contramão do que o hospital e seu corpo médico decidiu”, disse.

Klajner, porém, disse que a decisão do hospital de afastar a médica não teve relação com sua posição sobre os medicamentos, mas, sim, com a declaração sobre o holocausto.

Questionado na entrevista sobre o peso da defesa de Yamaguchi da hidroxicloroquina na tomada de decisão, o presidente do Einstein afirmou que ela não interferiu em nada. Disse ainda que a diretoria já havia chamado a médica para conversar sobre a utilização do nome do hospital Albert Einstein ao se manifestar a favor do medicamento e que foi requisitada a não associar a instituição à sua posição.

Até o momento, o consenso da comunidade científica é de que não há evidências a favor do uso da droga em pacientes com Covid-19.

Em nota, o hospital afirmou que “respeita a autonomia inerente ao exercício profissional de todos os médicos” e que “a doutora Nise faz parte do corpo clínico do hospital, sendo admissível que perfilhe entendimento próprio com relação ao atendimento de seus pacientes ou à sua postura em face da pandemia”. E acrescenta que a médica “estabeleceu analogia infeliz e infundada entre o pânico provocado pela pandemia e a postura de vítimas do Holocausto”.

“Como se trata de manifestação insólita, o hospital viu por bem averiguar se houve mero despropósito destituído de intuito ofensivo ou manifestação de desapreço motivada por algum conflito. Durante essa averiguação, que deve ser breve, o hospital não esperava que o fato viesse a público.”

Com Agências

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