E se fosse uma cabeça de Marielle Franco rolando aos pés de direitistas?

Uma cabeça de Bolsonaro chutada como uma bola de capotão numa pelada improvisada é vista como uma obra de arte legitimada pela liberdade de expressão artística. Perfeitamente plausível. Não passível de censura. Em nome da arte, tudo pode ser dito e expresso, os mais sublimes ideais e as mais sórdidas baixezas em nome da busca de um ideal. Em nome deste nobre ideal, a cabeça sórdida de Jair Bolsonaro, segundo progressistas, servida numa bandeja. Mais baixo: servida como bola a ser chutada. O ódio, o menosprezo, a sanha de sangue em nome da paz. E o que esta “obra de arte” em forma de panfleto quer dizer. Uma arte sempre diz algo. Sobretudo em relação ao artista e de sua tentativa de apelo universal. A tentativa de apelo universal deste filmete é o apelo progressista mundial: massacrar, vilipendiar, assassinar os ideais espúrios de supostos ditadores em gestação e intenção. Assim como os nazistas faziam filmetes mostrando os judeus como monstros, causas de todos os males na Alemanha; monstros a serem exterminados e varridos do mapa para que a humanidade ganhasse novamente seus tônus vital e humanista.

Todo fascismo apela para um caminho de bondade. O fascismo progressista de agora não é diferente. Em nome da suposição de uma ditadura incubada na cabeça de lideres direitistas como Bolsonaro e Donald Trump, outro com cabeça a prêmio, o ódio e a sanha de vingança por um crime ainda não consumado é lícita. Assim como era lícita a arte nazista dos anos 1930 em demonizar todos os judeus. Um povo, uma ideia, uma pessoa. Para a arte do fascismo do bem, nada importa em nome da perseguição de seu ideal de pureza. Agora, imaginem uma cabeça de Marielle Franco rolando aos pés de direitistas. Imaginem os processos, os gritos, a celeuma, as prisões, os altos brados de calamidade pública em redes sociais, entidades, instituições. Mas como assim? Marielle foi assassinada, bradarão os indignados. Sim, Bolsonaro também teve sua particular tentativa de assassinato. Mas Adélio Bispo era um maluco, responderão. Sim, um maluco ideológico que respondia por toda a ideopatia coletiva que via no presidente a encarnação do mal, da perseguição a minorias, gays, mulheres, negros. A cabeça de quem pensa diferente das hordas progressistas pode ser cortada. A barriga, esfaqueada. Em nome do bem, para as hordas progressistas, um assassinato ou uma cabeça decapitada é uma estética artística. Que pode virar realidade na cabeça de um demente. Mas a demência é só do demente assassino ou da coletividade que o pariu?

Estética difusa explica a confusão ética das hordas progressistas. Caetano Veloso compara a linguagem popularesca de Bolsonaro a ”linguagem cafajeste” do governo Bolsonaro. Eles dizem ”pô”, como dizia meu carrasco na prisão em 1968, disse no programa do Bial. Caetano hoje endossa escritores e youtubers stalinistas. A estética da comunhão pelo bem de Stalin, que matou 20 milhões de pessoas, perseguiu, torturou e massacrou outras dezenas de milhões, não o comove, não o impressiona. A linguagem e a intenção inconsciente, segundo Caetano, de uma ação futuramente ditatorial de Bolsonaro, é muto mais horrível que dezenas de milhões de cadáveres. Cortem-lhe a cabeça!, deve pensar Caetano, como a rainha louca de “Alice no País das Maravilhas“. A estética artística que tem nojo da linguagem popular, que faz apologia à possibilidade de livre defesa do cidadão armado, que crê na má índole do criminosos, a despeito de suas origem social, que se volta contra a hipocrisia do politicamente correto e dos exageros das políticas identitárias que distribuiu preconceitos de consciência, linguagem e ação nas pessoas, que persegue pessoas, é a estética transmutada em arte persecutória. Esta mesma arte que celebra cabeças decapitadas de quem se odeia por sua aparência, por sua intenção, por suas supostas ideias e ideais.

A esquerda brasileira, sob bençãos de Caetano e mídia e intelligentia, em conluio com a ditadura cultural progressista globalista, está revisando Stalin, o ditador assassino, e outros tiranos, como o contemporâneo Nicolás Maduro. A tirania real e histórica é relativizada; a tirania imaginária e projetada é absolutizada. Assim opera a esquizofrenia de nossa intelligentsia tupiniquim, da nossa intelligentsia progressista mundial. De onde surgem figuras neostalinistas que criam fascismos imaginários e negam fascismo real? Que cortam cabeças, que incitam o ódio e até o assassinato estético, que se transforma em tentativa de morte real, de quem se odeia? De escolas e universidades ideopatas. Quem dá voz a estas figuras ? Jornalistas e artistas e influenciadores ideopatizados em escolas e universidades. Que completam sua educação vendo mídias ideopatas. Se você, caro leitor, fosse um ideopata progressista, diria: ”É muita cabeça para ser chutada e cortada”. Mas nós, os civilizados, mantemos a cabeça no lugar. Antes que alguém as resolva cortar.

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