Donald Trump vive imerso em uma ‘realidade diferente’ sobre racismo, diz Kamala Harris

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Em entrevista à CNN, a candidata a vice-presidente pelo Partido Democrata, que tem origem jamaicana e indiana, criticou a postura do presidente. ‘Temos visto, desde nossos primórdios, dois sistemas de justiça [um para brancos e outro para negros]’, afirmou ela.
Senadora Kamala Harris, candidata a vice-presidente dos Estados Unidos na chapa do democrata Joe Biden
Convenção Nacional Democrata/Pool/Reuters
A companheira de chapa do candidato democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro, Kamala Harris, acusou neste domingo (6) o presidente Donald Trump de viver em uma “realidade diferente” devido a seu negacionismo contínuo em relação ao racismo sistêmico nos Estados Unidos.
Em entrevista à emissora CNN, a senadora disse que o presidente e seu procurador-geral, William Barr, “passam o tempo todo dentro de uma realidade diferente”. Harris tem origem jamaicana e indiana.
“A realidade dos Estados Unidos hoje é o que temos visto durante gerações e, francamente, desde nossos primórdios, que é que temos dois sistemas de justiça [um para brancos, outro para negros], criticou ela.
Os comentários de Harris foram feitos dois dias após a Casa Branca revelar que Trump ordenou as agências federais que deixem de financiar sessões de capacitação contra o racismo para os funcionários, porque estas seriam sinônimo de “uma propaganda divisória, antiamericana” e sugerem que o país é “inerentemente racista”.
Na semana passada, Barr descartou a ideia de que existe, de fato, um sistema de justiça para os brancos e outro para os negros. “Acredito que precisamos ter um pouco de cuidado ao lançar a ideia do racismo. Não acredito que seja tão comum quanto as pessoas sugerem”, afirmou o procurador-geral.
“Não acredito que a maioria das pessoas razoáveis que prestam atenção aos fatos coloque em discussão a existência de disparidades raciais e um sistema que se envolveu com o racismo em termos de como as leis foram aplicadas”, argumentou Harris.
Trump entrou firmemente em campanha apelando para sua base majoritariamente branca com um duro slogan de “Lei e Ordem”, na corrida ladeira a cima pela reeleição, em meio à atual pandemia do coronavírus, uma economia em apuros e um debate acalorado sobre a injustiça racial dentro da polícia.
Os protestos nas principais cidades dos Estados Unidos tiveram início em maio, após George Floyd, um homem afro-americano, ter sido assassinado por um policial branco ao ser preso em Minneapolis.
As manifestações ganharam força em agosto após outro afro-americano, Jacob Blake, ser baleado várias pelas costas por um policial em Kenosha, Wisconsin.
Trump classificou os protestos como obras de anarquistas violentos.

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