Do PSOL a Major Olimpio: a frente dos sonhos de Randolfe Rodrigues

Em uma hora de conversa, o líder da oposição no Senado classificou como eugênica e nazi-fascista a ideia prevalecente no governo em relação aos povos indígenas, acusou o governo de promover um “mensalão” para cooptar aliados, chamou Fabricio Queiroz de “agente central da holding familiar” e comparou o bolsonarismo a movimentos populistas de direita do século 20 que deram suporte a Adolf Hitler, Benito Mussolini, Francisco Franco e Antonio Salazar.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em entrevista ao Yahoo Notícias. Foto: Reprodução

Para o senador, Bolsonaro “conspira ao lado do vírus” e ainda será julgado por supostos crimes cometidos na condução da pandemia. “Qualquer ministro que quis se comportar conforme a ciência teve de sair do governo”, disse ele, que criticou o fato de o governo completar dois meses sem ministro da Saúde titular e dezenas de militares sem especialidade em cargos estratégicos da pasta.

Randolfe chamou de “crueldade atroz” o veto do presidente à obrigatoriedade do governo em fornecer água potável a povos indígenas, conforme previsto no projeto das medidas de proteção social para prevenção de contágio e disseminação da covid-19 em territórios indígenas.

Também criticou o veto à obrigatoriedade do uso de máscaras. “É a ignorância se associando ao vírus para matar”, acusou.

Segundo o senador, a visão do governo em relação aos povos indígenas é de antagonismo. “É a visão do colonizador, dos desbravadores do século 19. Na cabeça deles os povos indígenas são entraves, não têm cultura própria. A síntese do pensamento do governo em relação aos povos indígenas são as ideias de Abraham Weintraub na famosa reunião ministerial de 22 de abril. Ali foi revelado o bolsonarismo nu e cru. Não à toa, ele foi exaltado, em vez de ser censurado, pelo presidente”.

Na ocasião, Weintraub disse ter nojo das expressões “povos indígenas” e “povos ciganos”. Segundo o parlamentar, trata-se de uma ideia de orientação “eugênica nazi-fascista” em relação aos povos originários.

Para o entrevistado, Weintraub, assim como Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, são as meninas dos olhos do presidente e externam o modo bolsonarismo de ver o mundo.

O desafio, exposto na fala do senador, é refutar essa visão de mundo sem ficar refém da agenda e dos balões de ensaio bolsonarista.

Questionado sobre esse impasse, Randolfe disse que, diante de uma guerra de narrativas, não é possível banalizar absurdos. “O problema é a banalidade do mal”, disse, evocando Hannah Arendt. “De tantas barbaridades, a gente passa a achar normal um cidadão no meio de uma pandemia andar nas ruas sem máscara, a cavalo, aglomerando gente, contaminando mais gente. Ou propor a organização de uma milícia paralela às forças do Estado. Temos que refutar o mal. Isso não é papel da esquerda, mas de democrata. É papel de quem acredita no pacto civilizatório, e não na barbárie.”

Ele admitiu, porém, que não dá para refutar absurdos sem apresentar programa alternativo. Para isso, admitiu a dificuldade de unificar as forças dissidentes em torno de uma pauta comum. Um dos pilares desse programa seria ampliar o acesso ao crédito às empresas mais afetadas pela pandemia. Ele defendeu também estender o auxílio emergencial até dezembro e instituir um programa de renda mínima, “como o mundo todo está fazendo”.

Randolfe disse estar em curso a construção de um grupo que una quadros do PSOL ao PSDB, passando por Lula, Marina e Ciro Gomes, e sirva como freio ao que chamou de “projeto de destruição do Brasil”. “Quem é dissidente tem vocação democrática”, disse.

O senador defendeu a ampliação do diálogo com lideranças como Major Olímpio, que rompeu com Bolsonaro e agora ameaça se desfiliar do PSL. “Ele é um dissidente que respeito. É sério honesto, comprometido com o combate à corrupção, por isso se afastou”.

Para Randolfe, o Brasil não pode correr o risco de Bolsonaro chegar governando até 2022. “Ele já mostrou sua incapacidade absoluta de governar e nos liderar.”

Falta, como ele mesmo admitiu, combinar com as circunstâncias.

Com Agências

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