Disputa com a Huawei 

Entre 174 países pesquisados, o Brasil tem a maior carga tributária na banda larga fixa e a quarta maior na telefonia móvel, segundo levantamento da agência do setor, a Anatel, publicado no início de 2019. Daí os preços altos, menor capacidade de investimentos das empresas e, consequentemente, serviços inferiores. Uma estratégia de desenvolvimento precisa ter como meta mudar essa situação.

O governo de Donald Trump tem oferecido uma aliança militar, incluindo transferência de tecnologia e de inteligência, em troca de o Brasil bloquear o fornecimento da Huawei, líder mundial de tecnologia e preços nos equipamentos para o 5G. Vale a pena?

Trump impôs em maio sanções que proíbem fabricantes que usam tecnologia americana de fornecer componentes para a Huawei. Isso representa incentivos em duas direções contrárias na indústria.

De um lado, empresas como a sul-coreana Samsung, a japonesa Lasertech, a taiwanesa TSMC e a holandesa ASML, por exemplo, estão se firmando no mercado por utilizarem apenas tecnologia da Europa e do Japão. Desse ponto de vista, as sanções de Trump produzem um isolamento e encolhimento do mercado para as indústrias americanas.

De outro lado, o governo japonês, por exemplo, está apoiando empresas como NEC e Fujitsu, com US$ 650 milhões em verbas e 15% de incentivo fiscal, para que desenvolvam tecnologias alternativas à da Huawei, como forma de ocupar o vazio deixado pela gigante chinesa nos países que aderiram ao boicote liderado pelos EUA, como Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e o próprio Japão.

As operadoras japonesas Docomo e Rakuten estão adquirindo equipamentos de transmissão de 5G da NEC e apostando na tecnologia O-RAN, sigla em inglês para Rede de Acesso Aberto ao Rádio. Hoje, antenas fabricadas por uma empresa não se comunicam com as outras, nem com outros softwares. Essa solução cria uma interoperabilidade entre as antenas, e com isso abre caminho para centenas de fabricantes que estavam excluídos do mercado por essa restrição.

Nokia e Samsung estão investindo fortemente nessa tecnologia. O domínio da Huawei, a única empresa que fornece equipamentos para toda a cadeia da telefonia celular, diminui com esse desdobramento. Por outro lado, a entrada de muitas empresas nesse mercado até agora concentrado em apenas três empresas – Huawei, Ericsson e Nokia – representa novos desafios para a segurança. Afinal, espionagem não é uma invenção chinesa.

Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança dos EUA, revelou em 2013 em detalhes como os serviços secretos americanos obrigaram, com o amparo da lei, as fabricantes de equipamentos de informática a deixar uma porta aberta para eles espionarem os usuários.

O Brasil precisa, portanto, capacitar-se para fazer a checagem e certificação de segurança de todas as empresas que venham a atuar aqui, seja de que país forem. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), um órgão independente, seria o candidato ideal a cumprir esse papel, me dizem fontes do mercado.

Para os EUA, é fácil banir a Huawei: ela já não está no país. Já no Brasil ela ocupa 50% do mercado, segundo a empresa. Quanto mais concorrência, melhor para o Brasil. Isso é mais importante do que uma eventual aliança militar com os EUA ou qualquer outro país.

Com Agências

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