Dilma infartada e ‘horror’ ao foro: as vezes em que Bolsonaro ‘mudou de ideia’ em 2020

O ano de 2020 não tem sido fácil para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus filhos parlamentares Flávio, Eduardo e Carlos, constantemente envolvidos em polêmicas e alguns até em investigações graves de desvio de verba pública como é o caso do senador. O cenário adverso parece ter feito a família Bolsonaro mudar algumas de suas posições por diferentes razões.

Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images

Durante diversos momentos críticos, o presidente e seus filhos se queixaram de algo que no passado, de alguma forma, já haviam defendido. A oposição e os críticos fizeram questão de lembrar a aparente incoerência da família Bolsonaro no transcorrer desses episódios.

Relembre, abaixo, assuntos sobre os quais a família Bolsonaro parece ter mudado de ideia em 2020:

  1. Morte de adversários

Ao confirmar que testou positivo para o novo coronavírus, Jair Bolsonaro foi alvo nas redes sociais de uma enxurrada de mensagens ironizando seu estado de saúde e algumas até desejando a sua morte. O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) saiu em defesa do pai e se mostrou indignado pelo cenário. No entanto, opositores lembraram que a família Bolsonaro adotou postura semelhante quando se tratava de adversários.

O artigo do jornalista Helio Schwartsman entitulado “Por que eu torço para que Bolsonaro morra” motivou um pedido de André Mendonça, ministro da Justiça, para que a Polícia Federal investigasse o jornalista, fato que foi celebrado pelo presidente em uma rede social.

Contudo, em 2015, quando questionado sobre o mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), o então deputado federal Jair Bolsonaro respondeu: “Espero que o mandato dela acabe hoje, infartada ou com câncer, de qualquer maneira”. Já durante a gestão de Michel Temer (MDB), o próprio Carlos posou fazendo gesto de coração em frente a um muro pichado com os dizeres “Morte Temer”.

Em 2020, já no contexto da pandemia do novo coronavírus, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ironizou a outrora apoiadora do pai, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), ao dizer que não sabia que “coronavírus dava em porco”.

  1. Foro privilegiado

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu foro especial ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no inquérito que apura o esquema de “rachadinhas” quando o filho do presidente ainda era deputado estadual.

A prerrogativa de foro privilegiado foi o argumento central da defesa do senador para frear o avançado da investigação, porém o mecanismo, que permite que algumas autoridades não sejam julgadas pela primeira instância como um cidadão regular, nem sempre foi elogiado por Flávio e seu pai.

Em 2017, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo no qual Bolsonaro aparece ao lado de Flávio. O então deputado federal critica a existência do foro privilegiado para parlamentares: “Dos 513 deputados, 450 vão ser reeleitos. Por que eles têm que ser reeleitos? Para continuar com o foro privilegiado. O único prejudicado com o foro privilegiado agora sou eu, eu não quero essa porcaria de privilégio”, disse à época.

  1. Atuação do STF

O ano de 2020 também está marcado pelo constante conflito entre Jair Bolsonaro e membros do Superior Tribunal Federal (STF). O presidente chegou a participar de atos públicos que pediam o fechamento da Corte e viu alguns de seus apoiadores chegarem a disparar fogos de artifícios contra o prédio da instância máxima de Justiça do país.

Um dos estopins do atrito foi a ação do ministro Alexandre de Moraes para impedir a nomeação de Alexandre Ramagem, amigo dos filhos do presidente, para assumir a diretoria da Polícia Federal. A decisão desagradou profundamente Bolsonaro e iniciou um confronto público entre governo e instituição.

Há quatro anos, porém, Bolsonaro celebrou publicamente quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi impedido pela Corte de assumir o ministério da Casa Civil no governo Dilma Rousseff. À época, a Justiça considerou desvio de finalidade, algo que agradou Bolsonaro.

“Lula liminarmente já não é ministro. Mas os problemas do Brasil são enormes. Logicamente não merece essa facção petista que está no poder. É questão familiar, é questão da inflação, desemprego, descaso com a saúde, corrupção generalizada e corrupção ideológica”, disse o atual presidente.

  1. Atuação da PF

Após a Polícia Federal cumprir mandados na sede governo fluminense relativos a uma investigação que apura fraudes na saúde durante a pandemia, Bolsonaro elogiou a atuação do órgão ao dizer que a PF estava “de parabéns” ao iniciar uma investigação que atingia em cheio o governador Wilson Witzel (PSC-RJ), um de seus maiores adversários políticos.

No dia seguinte, contudo, o mesmo órgão, após determinação do STF, cumpriu mandados de busca e apreensão em residências e escritórios de políticos, empresários e ativistas bolsonaristas. A ação foi tomada no contexto do inquérito que apura ataques e ameaças contra ministros da corte e seus familiares.

Irritado com a visita de agentes da Polícia Federal a seus aliados, Bolsonaro afirmou que “ordens absurdas não se cumprem”.

“Nunca tive a intenção de controlar a Polícia Federal, pelo menos isso serviu para mostrar ontem. Mas obviamente, ordens absurdas não se cumprem. E nós temos que botar um limite nessas questões. Não foi justo o que aconteceu no dia de ontem.”

  1. Número de ministérios

BRASILIA, BRAZIL - JUNE 17: President of Brazil Jair Bolsonaro and newly appointed Minister of Communications Fábio Faria greet during his sworn in ceremony amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the Planalto Palace on June 17 2020 in Brasilia. Brazil has over 923,000 confirmed positive cases of Coronavirus and 45,241 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)BRASILIA, BRAZIL - JUNE 17: President of Brazil Jair Bolsonaro and newly appointed Minister of Communications Fábio Faria greet during his sworn in ceremony amidst the coronavirus (COVID-19) pandemic at the Planalto Palace on June 17 2020 in Brasilia. Brazil has over 923,000 confirmed positive cases of Coronavirus and 45,241 deaths. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)

Em setembro de 2018, durante a campanha que o levaria à Presidência da República, Bolsonaro se comprometeu a reduzir o número de ministérios caso fosse eleito, chegando a estipular quinze como o número ideal de pastas: “Assumi compromisso de reduzir número de ministérios, extinguir e privatizar grande parte das estatais que hoje existem”, escreveu em uma rede social.

Em julho deste ano, porém, Bolsonaro anunciou a recriação do ministério das Comunicações, totalizando 23 ministérios sob sua gestão. No mesmo mês, o próprio presidente admitiu que poderia recriar o ministério da Segurança Pública, ideia que até o momento não se concretizou.

Ao ser questionado sobre a recriação da pasta de Comunicações, chefiada por Fábio Faria (PSD-RN), o presidente argumentou que um “país continental” precisa ter mais do que quinze pastas.

“Algumas coisas nós exageramos até na questão dos ministérios. Um país continental como esse, a gente queria quinze ministérios, botamos um número. Depois chegou a vinte e dois. E o ministério em si não tem muita despesa a mais, sendo criado um ou mais ministérios”, justificou Bolsonaro em entrevista coletiva em Brasília.

Com Agências

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